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Mulher de blusa amarela ouvindo uma médica de jaleco branco com um tablet durante a consulta
Tratamentos

Enxaqueca: qual médico procurar e como preparar a consulta

Por Laurine Nicoletti12 min

Você tem crises de dor de cabeça que voltam todo mês, já tomou o que tinha na gaveta mais vezes do que gostaria e começou a se perguntar: enxaqueca, qual médico procurar? Talvez você tenha ficado em dúvida entre o clínico geral, o neurologista e até o oftalmologista, porque a dor às vezes aparece atrás dos olhos.

A resposta curta: você pode começar por um clínico geral (ou médico de família, no SUS), e o neurologista, de preferência com experiência em dor de cabeça, é o especialista de referência. Neste artigo, você vê quando procurar cada um, como chegar à consulta com um histórico claro e que perguntas levar. Para ver o quadro completo de opções, passe também pela nossa página sobre os tratamentos da enxaqueca.

Em resumo

  • O clínico geral ou o médico de família é uma boa porta de entrada, e o neurologista (de preferência com experiência em cefaleias) é o especialista indicado para investigar e acompanhar a enxaqueca.
  • A Sociedade Brasileira de Cefaleia alerta: dor de cabeça em mais de 3 dias por mês, por mais de 3 meses, não é normal e merece avaliação médica.
  • Dor súbita e muito forte, ou dor com fraqueza, fala alterada ou febre, pede atendimento urgente, sem esperar consulta marcada.
  • Um histórico simples (frequência, duração, intensidade, gatilhos, remédios usados) ajuda o médico mais do que qualquer lembrança de cabeça.

Enxaqueca: qual médico procurar primeiro?

O primeiro passo pode ser o clínico geral ou o médico de família, principalmente se você ainda não tem um diagnóstico. Ele ouve sua história, examina você, descarta outras causas e orienta o que fazer a seguir. No SUS, esse atendimento acontece na unidade básica de saúde, que é a porta de entrada do sistema.

O diagnóstico da enxaqueca é clínico: ele se baseia na descrição das crises e nos critérios da classificação internacional de cefaleias, como mostra o guia de cuidado de enxaqueca do Hospital Israelita Albert Einstein. Não existe um exame de sangue que "confirma" a enxaqueca. Por isso a sua história (como é a dor, quanto dura, o que vem junto) pesa tanto na consulta.

O especialista de referência é o neurologista, de preferência com experiência em cefaleias. A própria Sociedade Brasileira de Cefaleia recomenda procurar um médico, de preferência neurologista, quando a dor de cabeça se repete com frequência.

E o oftalmologista? Ele entra em cena se a queixa principal for dor "no fundo dos olhos" ou alteração da visão, para descartar causas oculares. Se você tem dúvida entre enxaqueca e outros tipos de dor, vale ler a diferença entre enxaqueca e dor de cabeça.

Quando marcar consulta sem esperar?

Marque consulta quando as crises deixam de ser ocasionais. A campanha "3 é demais", da Sociedade Brasileira de Cefaleia, resume bem: dor de cabeça em mais de 3 dias por mês, durante mais de 3 meses, não é normal e precisa de tratamento, mesmo que você ache que tem uma boa explicação para ela.

Outros sinais de que vale não adiar a consulta:

  • as crises atrapalham seu trabalho, seus estudos ou sua vida social;
  • você precisa de analgésico com muita frequência. O uso repetido de remédios para dor pode piorar o quadro e levar a uma dor de cabeça diária por excesso de medicação, como explica a Ebserh;
  • o padrão da sua dor mudou (mais forte, mais frequente ou diferente do habitual);
  • a dor virou quase diária. Nesse caso, vale ler por que a dor de cabeça pode acontecer todos os dias e quando investigar.

Para ter uma ideia da dimensão do problema, a enxaqueca em números mostra que você está longe de ser a única pessoa nessa situação.

Quais sintomas pedem atendimento urgente?

Alguns sinais não combinam com "esperar a consulta do mês que vem". O Hospital Israelita Albert Einstein lista como sinais de alerta, por exemplo: dor de início súbito (que atinge o máximo em cerca de um minuto), dor que vem depois de uma pancada na cabeça, dor com febre ou manchas na pele, dor que piora aos poucos em dias ou semanas, dor que começa depois dos 50 anos e dor associada a alterações neurológicas.

A Ebserh acrescenta a pior dor de cabeça da vida, dor que acorda você durante o sono, dor desencadeada por esforço físico e dor com desmaio ou sonolência excessiva. Se algum desses sinais aparecer, procure um serviço de urgência. Para entender melhor essa decisão, veja quando ir ao pronto-socorro e quando dá para esperar.

Isso não é motivo para entrar em pânico: a maioria das dores de cabeça recorrentes é primária, como a enxaqueca. Mas só um profissional pode avaliar o seu caso, e nenhum texto na internet faz isso por você.

Quando faz sentido ir ao neurologista?

O neurologista faz sentido quando a dor é frequente, intensa, atípica ou não melhora com o acompanhamento inicial. Se você tem condições de ir direto a ele (por convênio ou de forma particular), pode começar por aí. No SUS, o caminho costuma passar pela atenção básica, que encaminha para a especialidade.

Os protocolos de encaminhamento do Ministério da Saúde para a neurologia ajudam a entender esse caminho. Segundo o protocolo de neurologia adulto, entre os motivos para encaminhar estão a enxaqueca que não respondeu ao tratamento preventivo na atenção primária (com tentativa de duas classes diferentes de remédios por, no mínimo, 3 meses), a necessidade de investigar com exame de imagem quando ele não está disponível na unidade e dores de cabeça que não se encaixam como enxaqueca nem como cefaleia tensional.

Na prática, o neurologista avalia sua história, faz o exame físico e neurológico e, se for o caso, pede exames. Se houver indicação, pode discutir tratamentos específicos, como os triptanos para as crises, os anticorpos anti-CGRP como tratamento preventivo e, na enxaqueca crônica, o Botox pelo protocolo PREEMPT. Quem decide o que é adequado para você é o seu médico, e nada disso se começa ou se muda por conta própria.

Ambulatório de cefaleia: para quem é?

Um ambulatório (ou centro) de cefaleia é um serviço especializado em dor de cabeça, mais útil para casos difíceis ou complexos. Costuma ser o destino de quem já passou pelo clínico e pelo neurologista e continua com crises frequentes, de quem tem um diagnóstico incerto ou de quem precisa de tratamentos mais específicos.

No Brasil, alguns hospitais universitários da rede Ebserh têm esse tipo de serviço, atendendo pelo SUS. Dois exemplos descritos pela própria empresa são o ambulatório de tratamento da dor de cabeça do Hospital de Clínicas da UFU e o ambulatório de cefaleia do Hucam-Ufes. A disponibilidade varia muito de cidade para cidade e, em geral, depende de encaminhamento. Pergunte na sua unidade de saúde o que existe perto de você.

Como chegar à consulta com um histórico claro

Quanto mais concreto for o seu relato, mais o médico consegue ajudar. Em uma consulta de 20 ou 30 minutos, ninguém lembra com precisão quantas crises teve nos últimos três meses. Registrar as crises ao longo do tempo resolve isso.

O que vale a pena levar:

  • Frequência: quantos dias de dor por mês, e se isso mudou nos últimos meses.
  • Duração: quantas horas ou dias cada crise dura quando você trata e quando não trata.
  • Intensidade: uma nota simples de 0 a 10 já basta.
  • Sintomas que acompanham: náusea, sensibilidade à luz e ao som, aura (luzes, manchas, formigamento).
  • Possíveis gatilhos: sono ruim, estresse, telas, alimentação, menstruação, mudanças no tempo.
  • Remédios usados: quais, quantas vezes por mês, e se funcionaram. Leve os nomes e anote se algum não ajudou.
  • Histórico: casos de enxaqueca na família, outras doenças, anticoncepcional ou outros remédios de uso contínuo.

Se você não sabe bem o que anotar, o guia diário de enxaqueca: o que anotar para ele servir de verdade detalha cada item. E se os gatilhos ainda são um mistério, este passo a passo ajuda a identificá-los.

Quanto tempo de registro é suficiente?

Não existe um número mágico, mas alguns meses de anotações dão um retrato mais fiel do que duas semanas. Mesmo que você tenha começado ontem, leve o que tiver: um registro incompleto ainda é melhor do que depender só da memória. O que o médico procura são padrões, não perfeição.

Que perguntas fazer durante a consulta?

Levar as perguntas escritas evita sair do consultório com a sensação de ter esquecido o principal. Algumas ideias para adaptar ao seu caso:

  • O que você acha que está causando minhas dores de cabeça? Tenho enxaqueca, outro tipo de dor, ou mais de um?
  • Preciso de algum exame? Por quê?
  • Como devo tratar uma crise quando ela começa? Existe algum limite de vezes por mês para usar esse remédio?
  • Faz sentido um tratamento preventivo no meu caso? Quais são as opções e os possíveis efeitos colaterais?
  • Meus gatilhos (sono, estresse, menstruação, anticoncepcional) mudam alguma coisa no plano? Se esse último ponto é o seu caso, vale ler sobre anticoncepcional e enxaqueca.
  • Quando devo voltar? E quais sinais pedem atendimento urgente?
  • Existe um ambulatório de cefaleia a que eu possa ser encaminhada, se for preciso?

Não tenha vergonha de dizer o que você não entendeu. Se o médico usar um termo estranho, peça para explicar; o glossário da enxaqueca também pode ajudar depois, em casa.

E se a enxaqueca for de uma criança ou adolescente?

Em crianças e adolescentes, o primeiro passo costuma ser o pediatra, que pode encaminhar ao neurologista infantil, o neuropediatra, se for preciso. A enxaqueca também aparece cedo na vida. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, a enxaqueca afeta cerca de 9,1% das crianças e pré-adolescentes com menos de 12 anos.

A mesma fonte observa que muitos pais levam o filho ao otorrinolaringologista, pensando em sinusite, ou ao oftalmologista, pensando em problema de vista. Isso não é errado, mas vale lembrar que a dor de cabeça recorrente também pode ser enxaqueca. Para mais detalhes, leia o guia completo sobre enxaqueca infantil para pais e mães.

Depois da consulta: o que fazer com o que o médico disse?

Saia da consulta com um plano claro e volte a registrar suas crises. Anote o que foi combinado enquanto está fresco na memória: qual é o diagnóstico, quais exames pedir, o que fazer na crise e quando retornar.

Alguns cuidados ajudam:

  1. Siga a orientação do médico e não mude nem interrompa remédios por conta própria. Se algo não estiver funcionando ou causar mal-estar, volte a falar com ele.
  2. Continue o registro das crises. Ele mostra se o tratamento está funcionando e dá base para ajustes na próxima consulta.
  3. Combine o retorno. Tratamentos de enxaqueca costumam precisar de acompanhamento e de tempo para serem avaliados.
  4. Se você não ficou satisfeita ou não entendeu o plano, pedir uma segunda opinião é legítimo.

Enquanto isso, existem formas de se cuidar nos dias de crise sem depender só de remédio, e algumas delas têm boa base de evidência. Veja o que ajuda de verdade e o que tem pouca prova.

Por onde começar?

Se você precisa de um ponto de partida simples: marque consulta com um clínico geral ou médico de família se ainda não tem diagnóstico, e procure um neurologista (de preferência com experiência em cefaleias) se as crises forem frequentes, intensas ou não melhorarem. Se houver sinais de alerta, como dor súbita e muito forte ou sintomas neurológicos, vá a um serviço de urgência.

Enquanto a consulta não chega, comece a anotar suas crises hoje. Com alguns dados concretos na mão, a conversa com o médico fica mais objetiva e muito mais útil.

Perguntas frequentes

Enxaqueca: qual médico procurar, o neurologista ou o clínico geral?

Os dois podem ajudar. O clínico geral (ou médico de família, no SUS) é uma boa porta de entrada e pode encaminhar, e o neurologista, de preferência com experiência em dor de cabeça, é o especialista de referência para investigar e acompanhar a enxaqueca, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Preciso de exame de imagem para saber se tenho enxaqueca?

Em geral, não: o diagnóstico da enxaqueca é clínico, baseado na descrição das crises, como mostra o guia do Hospital Israelita Albert Einstein. Exames podem ser pedidos pelo médico em situações específicas, como sinais de alerta ou quando o quadro foge do padrão.

Posso ir direto ao neurologista sem passar pelo clínico?

Se você tem convênio ou atende de forma particular, geralmente sim. No SUS, o caminho costuma começar pela unidade básica de saúde, que encaminha para a especialidade quando há indicação, conforme os protocolos de encaminhamento do Ministério da Saúde.

O que levar na primeira consulta por causa da enxaqueca?

Leve um registro das crises (frequência, duração, intensidade, sintomas e possíveis gatilhos), os nomes dos remédios que você já usou e quantas vezes por mês os usa, além de exames anteriores, se houver. Também vale levar suas perguntas anotadas, para não esquecer nada durante a consulta.

A dor de cabeça de uma criança pode ser enxaqueca?

Pode. A Sociedade Brasileira de Cefaleia aponta que a enxaqueca é o tipo de dor de cabeça que mais se destaca na infância pela frequência e pela incapacidade que causa. Converse com o pediatra, que avalia o caso e, se for preciso, encaminha ao neuropediatra.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que convive com a enxaqueca desde os 21 anos. Saiba mais · Como escrevemos nossos artigos

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