← Voltar ao blog
Mulher de olhos fechados com a mão na têmpora, ao lado de um globo com ícones de pessoas
O essencial

Enxaqueca em números: o que dizem os estudos no Brasil e no mundo

Por Laurine Nicoletti11 min

Você já ouviu "é só uma dor de cabeça" depois de passar um dia inteiro no escuro, com o celular virado para baixo e o estômago embrulhado? Quando a gente vive com enxaqueca, às vezes parece que ninguém mais passa por isso. Os números mostram o contrário: você está longe de ser a única.

Neste artigo, a enxaqueca em números vai de um jeito simples: quantas pessoas têm a doença no mundo e no Brasil, quem é mais afetado, quanto ela pesa na vida e no bolso, e por que muita gente ainda não tem diagnóstico. Também vamos separar o que os estudos mostram do que ainda é estimativa. Se quiser uma visão mais ampla do assunto, a página Tudo sobre enxaqueca reúne os outros textos do blog sobre o tema.

Em resumo

Quantas pessoas têm enxaqueca no mundo?

A enxaqueca atinge mais de 1 bilhão de pessoas no planeta, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) citados pela Agência Brasil. Isso a coloca entre as doenças mais comuns do mundo, e não entre as "raridades" neurológicas.

Vale entender o que esse número quer dizer. Estimativas globais costumam vir do estudo Global Burden of Disease, que junta dados de vários países para calcular quantas pessoas vivem com cada doença. Os valores exatos mudam de uma edição para outra, por isso você vai ver "mais de 1 bilhão" em quase todas as fontes brasileiras, e não um número fechado.

Outro ponto importante: enxaqueca não é qualquer dor de cabeça. É uma doença neurológica, genética e crônica, em que a dor vem acompanhada de outros sintomas, como sensibilidade a luz, cheiros e barulho, náuseas e, em alguns casos, aura (alterações visuais ou sensação de formigamento).

Quantas pessoas têm enxaqueca no Brasil?

No Brasil, cerca de 15% da população tem enxaqueca, segundo o estudo epidemiológico nacional da Sociedade Brasileira de Cefaleia, que avaliou mais de 3.800 pessoas e encontrou 15,2% com enxaqueca, 13% com cefaleia tensional e 6,9% com cefaleia crônica diária.

Em números absolutos, as estimativas variam conforme a fonte e o ano. A Agência Brasil fala em cerca de 30 milhões de brasileiros, a APM cita 31 milhões e a ANAMT menciona 34 milhões. Essa diferença vem do jeito de contar e da população usada como base, não de uma discordância sobre a gravidade do problema.

Tem ainda um dado que chama atenção: o Brasil tem uma prevalência de cefaleia crônica diária maior do que a de outros países, embora a de enxaqueca seja parecida com a de outras regiões. Isso não significa que brasileiros "têm mais enxaqueca", e sim que dores de cabeça frequentes merecem atenção por aqui.

Por que a enxaqueca afeta mais as mulheres e em que idade ela aparece?

A enxaqueca é duas a três vezes mais comum em mulheres do que em homens, e a explicação envolve genética, oscilações hormonais e estresse. Na população brasileira, a prevalência entre as mulheres fica em torno de 20%, segundo essa mesma fonte.

Antes da puberdade, meninos e meninas têm enxaqueca em proporções parecidas. Depois dela, a diferença aparece, e isso é um dos motivos pelos quais os hormônios entram na conversa. Se você quer entender o lado da família, o artigo A enxaqueca é hereditária? explica o que os estudos dizem sobre a herança genética.

Quanto à idade, a enxaqueca costuma começar na puberdade e atinge principalmente quem tem entre 35 e 45 anos, segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Outras fontes brasileiras falam em um pico entre 25 e 45 anos. O ponto em comum é que ela pesa justamente na fase em que muita gente está estudando, começando a carreira ou cuidando de filhos.

Ela também não é exclusividade de adulto. Se você é mãe, pai ou cuidador, o guia Enxaqueca infantil mostra como a doença aparece em crianças e adolescentes.

Quantas pessoas têm enxaqueca crônica?

A enxaqueca crônica afeta uma parcela menor das pessoas: as estimativas apontam algo entre 1% e 2,2% da população mundial, segundo o Centro de Dor e Diagnóstico (CDD). Para a maioria, a enxaqueca é episódica, com crises bem definidas e dias ou semanas de intervalo entre elas.

A enxaqueca é considerada crônica quando as dores de cabeça acontecem em 15 dias ou mais por mês, por pelo menos 3 meses seguidos, com características de enxaqueca em parte desses dias. Para a Agência Brasil, tratamentos preventivos prescritos por profissionais ajudam a reduzir a frequência, a intensidade e a duração das crises.

Se as dores estão ficando cada vez mais frequentes, vale conversar com um médico, de preferência um neurologista. Existem opções como a toxina botulínica, explicada de forma informativa em Botox para enxaqueca crônica. Quem decide o que faz sentido para cada pessoa é o profissional de saúde.

Quanta incapacidade a enxaqueca causa?

A enxaqueca é a segunda maior causa de incapacidade no mundo, atrás apenas da dor lombar, segundo a OMS, em dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Essa conta considera os anos vividos com incapacidade, ou seja, o tempo em que a doença atrapalha a rotina.

Entre adultos mais jovens o peso é ainda maior. A CNN Brasil destaca que a enxaqueca está entre as condições mais incapacitantes em pessoas com menos de 50 anos.

Na vida real, isso aparece em coisas pequenas e grandes: faltar aula, sair mais cedo do trabalho, cancelar um encontro, ficar horas no escuro. A Sociedade Brasileira de Cefaleia estima que cerca de 90% das pessoas com enxaqueca têm algum prejuízo no trabalho, nos estudos ou no lazer, número que aparece em levantamentos de divulgação do tema. Nenhuma dessas perdas é "frescura", e os números ajudam a mostrar isso.

Quanto a enxaqueca custa ao Brasil?

Um estudo do instituto alemão WifOR estimou que a enxaqueca custa R$ 168 bilhões ao Brasil, o equivalente a 1,6% do PIB, segundo a CartaCapital. O mesmo levantamento, feito em parceria com a federação de indústrias farmacêuticas da América Latina (Fifarma), colocou o Brasil como o segundo país mais afetado entre as oito maiores economias da região.

Esses valores vêm de faltas ao trabalho (absenteísmo) e, principalmente, de quem vai trabalhar com a crise e rende menos (o chamado presenteísmo). Outros cálculos chegam a números bem diferentes: uma estimativa em dólares publicada pela Medicina S/A equivale a mais de R$ 800 bilhões.

Por que tanta diferença? Porque cada estudo decide o que entra na conta, e parte dessas pesquisas tem apoio da indústria farmacêutica. O que dá para afirmar com segurança é a ordem de grandeza: são bilhões de reais por ano, e o impacto passa por todas as profissões.

Por que a enxaqueca é considerada subdiagnosticada?

Muita gente convive com enxaqueca sem nunca ter recebido um diagnóstico. O levantamento Radar da Enxaqueca, da Teva Brasil com apoio da ABRACES, estimou que 27 milhões de brasileiros podem viver com a doença sem diagnóstico médico, enquanto cerca de 23 milhões teriam diagnóstico. Por ser uma pesquisa feita por uma empresa farmacêutica, vale ler esses números como uma estimativa, não como um censo.

Outro dado vai na mesma direção: cerca de 50% das pessoas com enxaqueca não conversam com o médico sobre os sintomas. Muitas vezes a pessoa acha que é "normal", que "toda mulher tem" ou que não há o que fazer.

A Sociedade Brasileira de Cefaleia também alerta sobre os riscos da automedicação: o uso constante e excessivo de analgésicos pode transformar uma dor de cabeça ocasional em crônica. O Dia Nacional de Combate à Cefaleia, em 19 de maio, existe justamente para falar disso.

A enxaqueca vem com outros problemas de saúde?

Sim, a enxaqueca costuma aparecer junto com outras condições, que os médicos chamam de comorbidades. A Sociedade Brasileira de Cefaleia lista, entre elas, distúrbios do sono, vários tipos de tontura, problemas intestinais como a síndrome do intestino irritável e outras dores, como a fibromialgia.

Também há uma associação com saúde cardiovascular. Pessoas com enxaqueca, principalmente com aura, têm maior risco de AVC e de doenças do coração, e esse risco aumenta quando se somam fatores como tabagismo e o uso de alguns anticoncepcionais hormonais. Isso não quer dizer que você vá ter um AVC: o risco individual é baixo, e quem avalia o seu caso é o médico.

O que vale levar daqui é simples: se você tem enxaqueca e também sofre com sono ruim, desconforto no intestino ou dores pelo corpo, vale contar tudo isso na consulta. Um quadro completo ajuda o profissional a entender o conjunto.

O que esses números significam para você?

Eles significam que sua enxaqueca é real, comum e levada a sério pela ciência, mesmo que nem sempre pareça assim no dia a dia. Você não está exagerando, e ter crises frequentes não é um defeito de caráter nem falta de resistência.

Os números também têm limites. Eles falam de populações, não de você: ninguém consegue prever, a partir de uma estatística, quando será a sua próxima crise nem qual tratamento serve para o seu caso. Para isso, o melhor ponto de partida é entender o seu próprio padrão.

Na prática, algumas atitudes ajudam:

  • Anote suas crises: data, duração, intensidade e o que aconteceu antes (sono, estresse, tela, ciclo, alimentação).
  • Observe os dias de dor por mês: é uma informação valiosa para o médico.
  • Leve esse histórico à consulta: com dados em mãos, a conversa fica mais objetiva.
  • Evite a automedicação frequente: se você recorre a analgésicos com muita frequência, converse com um profissional de saúde.

Sobre o papel das telas, por exemplo, o artigo Luz azul e enxaqueca mostra o que os estudos realmente dizem, sem culpa e sem exagero.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas têm enxaqueca no Brasil?

O estudo epidemiológico nacional da Sociedade Brasileira de Cefaleia encontrou 15,2% de pessoas com enxaqueca na população brasileira. Em números absolutos, as fontes falam em algo entre 30 e 34 milhões de pessoas, dependendo do ano e do método de cálculo.

A enxaqueca é mais comum em mulheres ou em homens?

É mais comum em mulheres, na proporção de duas a três para cada homem, com influência de genética, hormônios e estresse. Antes da puberdade, a diferença entre meninos e meninas é pequena.

O que é enxaqueca crônica e quantas pessoas têm?

É a enxaqueca em que a dor de cabeça aparece em 15 dias ou mais por mês, durante pelo menos 3 meses. As estimativas indicam que ela afeta entre 1% e 2,2% da população mundial.

Quanto a enxaqueca custa para o Brasil?

Um estudo do instituto WifOR estimou perdas de R$ 168 bilhões, cerca de 1,6% do PIB. Os cálculos variam bastante entre pesquisas, mas todos apontam para um impacto de bilhões de reais por ano.

Se tanta gente tem enxaqueca, eu preciso mesmo ir ao médico?

Se as crises atrapalham sua rotina, estão ficando mais frequentes ou você usa analgésicos com muita frequência, vale buscar avaliação médica. Ser uma condição comum não significa que você precise aguentar sozinha, e só um profissional pode indicar o que faz sentido no seu caso.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que convive com a enxaqueca desde os 21 anos. Saiba mais · Como escrevemos nossos artigos

Artigos relacionados

Todos os artigos “O essencial”

Baixe o Mellow

Gratuito para baixar. Registre sua primeira crise em poucos segundos.

4,8 em 62 avaliações
Baixar na App StoreDisponível no Google Play