
Magnésio para enxaqueca: qual forma escolher e o que saber sobre a dose
Você já ouviu alguém dizer "toma magnésio, isso ajuda na enxaqueca"? Talvez uma amiga, um vídeo na internet ou até a atendente da farmácia. Aí vêm as dúvidas sobre o magnésio para enxaqueca: qual tipo comprar, quanto tomar e se isso realmente adianta.
O magnésio para enxaqueca é um dos suplementos mais estudados na prevenção das crises, mas está longe de ser uma solução mágica. Neste artigo, você vai ver por que ele entra na conversa, o que os estudos mostram, como as formas de magnésio se diferenciam, por que não vamos citar uma dose e quando vale conversar com seu médico. Ele faz parte do nosso conjunto de conteúdos sobre como prevenir a enxaqueca.
Em resumo
- O magnésio é um dos suplementos mais estudados na prevenção da enxaqueca, mas pode ajudar só algumas pessoas e não substitui o tratamento prescrito.
- Segundo um consenso da Sociedade Brasileira de Cefaleia de 2002, o magnésio e a riboflavina (vitamina B2) aparecem como opções com evidência de nível B.
- A forma do magnésio (citrato, bisglicinato, óxido etc.) muda sobretudo a tolerância do intestino, e a dose depende de cada pessoa, por isso deve ser definida por um profissional de saúde.
- Quem tem doença renal, está grávida ou usa outros remédios deve conversar com o médico antes de começar.
Por que se fala tanto de magnésio na enxaqueca?
O magnésio é um mineral que participa de muitas funções do corpo, inclusive da comunicação entre os neurônios. Segundo o Tua Saúde, ele ajuda a regular a transmissão de sinais entre as células nervosas e o tônus dos vasos do cérebro. Isso despertou o interesse dos pesquisadores, porque a enxaqueca envolve um cérebro mais "excitável" e mudanças nos vasos.
O mesmo texto aponta que algumas estimativas indicam que até metade das pessoas com enxaqueca crônica pode ter níveis baixos de magnésio. Vale ler isso com cuidado. É uma estimativa, e ter um nível mais baixo não prova que o magnésio seja a causa das suas crises.
Também é bom saber que a enxaqueca raramente tem uma causa única. Ela costuma depender de uma combinação de predisposição, hábitos e gatilhos. Se esse tema é novo para você, vale ler também sobre a enxaqueca ser hereditária.
O magnésio para enxaqueca funciona mesmo?
A resposta honesta é: pode ajudar algumas pessoas, mas não é um tratamento garantido. O que existe é uma evidência de nível intermediário, não uma prova definitiva.
Um consenso da Sociedade Brasileira de Cefaleia sobre tratamento preventivo da migrânea (publicado em 2002) já listava o magnésio e a riboflavina (vitamina B2) como opções com evidência de nível B. É um documento antigo, mas mostra que o assunto é discutido há bastante tempo por especialistas brasileiros.
O Tua Saúde resume que ensaios clínicos com suplementação oral têm mostrado resultados promissores na prevenção. Ao mesmo tempo, destaca que o magnésio não substitui o tratamento com medicamentos e deve ser orientado por um neurologista.
Na prática, isso significa três coisas:
- O magnésio é visto como um complemento, não como substituto de um tratamento prescrito.
- Os resultados variam de pessoa para pessoa. Em alguns casos, as crises diminuem; em outros, nada muda.
- Ele não serve para cortar uma crise que já começou. A ideia dos estudos é a prevenção, ao longo de semanas ou meses.
Quais são as formas de magnésio e qual muda alguma coisa?
Na farmácia, você encontra magnésio em vários "sais": óxido, citrato, cloreto, bisglicinato (ou glicinato), malato, treonato e outros. O nome do sal indica ao que o mineral está ligado, e isso pode mudar a forma como o seu intestino reage.
O que costuma diferenciar as formas
Segundo o Tua Saúde, doses altas de suplemento podem causar diarreia, náusea e cólicas. As formas óxido, carbonato, cloreto e gluconato estão entre as mais associadas a esse efeito. Já o bisglicinato (glicinato) e o citrato costumam ser citados como opções mais bem toleradas pelo estômago e pelo intestino.
Ou seja, a escolha da forma muitas vezes é mais uma questão de tolerância digestiva do que de uma "superioridade comprovada" contra a enxaqueca. Não encontrei, nas fontes em português que consultei, uma comparação direta e definitiva entre as formas para essa condição. Por isso, desconfie de rótulos que prometem "o melhor magnésio para enxaqueca".
E o magnésio manipulado?
Muita gente no Brasil compra magnésio em farmácia de manipulação, às vezes combinado com outras substâncias. Nesse caso, a composição vem da prescrição. É mais um motivo para o médico ou o nutricionista estarem por dentro do que você usa.
Que dose de magnésio tomar? Por que não damos um número
Você provavelmente chegou aqui esperando um número em miligramas. Nós não vamos citar uma dose, e o motivo é simples: a quantidade certa depende de quem você é, do que você já come, da forma escolhida, da sua função renal e dos remédios que você usa.
Uma dose escolhida pela internet pode ser baixa demais para o que se espera, ou alta demais para o seu intestino ou para os seus rins. Essa conta precisa ser feita por um profissional que conheça o seu caso.
O que podemos dizer, com base no Hospital Israelita Albert Einstein, é que o caminho mais seguro é procurar um médico para verificar se há deficiência nutricional. A partir daí, ele indica o suplemento mais adequado, de forma individualizada.
Se você quer chegar mais preparada à consulta, leve estas informações:
- quantas crises você tem por mês e como elas costumam ser;
- o que você já tentou para prevenir;
- todos os remédios e suplementos que você usa hoje;
- se você tem problema nos rins, no coração ou no intestino;
- se você está grávida, tentando engravidar ou amamentando.
Antes do comprimido: alimentos ricos em magnésio
Antes de pensar em cápsula, vale olhar para o prato. O Einstein informa que a recomendação diária de magnésio é de 300 a 400 mg, e que essa meta pode ser alcançada com um cardápio rico em castanhas, legumes, verduras, frutas e feijões. Esse número é a referência de alimentação, não uma dose de suplemento.
O mesmo texto cita o magnésio presente em castanhas, banana, espinafre e feijão. Alguns exemplos que cabem bem na rotina brasileira:
- feijão (e outras leguminosas, como grão-de-bico e lentilha);
- castanhas, amêndoas, amendoim e sementes;
- folhas verde-escuras, como espinafre e couve;
- banana e outras frutas.
Comer bem não garante que a enxaqueca vá embora. Mas é uma base saudável, de baixo risco, e ajuda a evitar um problema comum: pular refeições. Em outro texto, o Einstein lista uma boa alimentação, o abandono do cigarro, a atividade física e o controle do estresse entre as medidas para ajudar a prevenir as crises.
Efeitos colaterais, precauções e quando falar com o médico
Por ser um mineral natural, muita gente acha que o magnésio é sempre inofensivo. Em geral é bem tolerado, mas não é isento de riscos.
Efeitos mais comuns
O efeito indesejado mais citado é digestivo: diarreia, náusea e cólicas, principalmente quando a quantidade é alta ou a forma é mais "laxante", como já mencionamos. Se isso acontecer, não se trata de "limpeza do organismo". É um sinal para conversar com quem prescreveu ou orientou o uso.
Rins e outros cuidados
O ponto mais importante: os rins eliminam o excesso de magnésio. O Einstein explica que, em pessoas com insuficiência renal, pode haver acúmulo do mineral e sintomas de intoxicação. O Manual Farmacêutico do Einstein também lista a insuficiência renal grave como uma contraindicação para certas formas de magnésio.
Por isso, converse com um profissional de saúde antes de começar se algum destes casos se aplica a você:
- você tem doença renal ou já teve problemas nos rins;
- você usa outros medicamentos de forma contínua;
- você está grávida, planeja engravidar ou está amamentando;
- você tem diarreia frequente ou outro problema intestinal;
- as suas crises mudaram de padrão, pioraram ou vieram com sintomas novos.
No SUS, o caminho costuma começar pela Unidade Básica de Saúde, que pode encaminhar você a um neurologista quando necessário. Dor de cabeça muito forte e repentina, com febre, rigidez no pescoço, confusão, fraqueza de um lado do corpo ou dificuldade para falar, merece atendimento de urgência. Isso não é caso para suplemento.
Magnésio com vitamina B2: uma combinação a avaliar com o médico
Você deve ter visto fórmulas que juntam magnésio e vitamina B2 (riboflavina), às vezes com outras substâncias. A ideia não é nova. O consenso da SBCe que citamos acima já colocava riboflavina e magnésio lado a lado, ambos com evidência de nível B.
Isso não quer dizer que juntar os dois "multiplique" o efeito. Para essa combinação específica, não encontrei nas fontes brasileiras que consultei dados suficientes para afirmar isso. Se você se interessa por essa opção, leve a dúvida ao seu médico, em vez de montar uma combinação sozinha.
Outros suplementos citados para enxaqueca (como coenzima Q10 e erva-de-são-cristóvão) seguem a mesma lógica: evidência variável e necessidade de orientação. Também vale lembrar que o magnésio não faz a mesma coisa que os tratamentos prescritos. Se as suas crises são frequentes e atrapalham a vida, existem outras opções que o médico pode discutir com você, como o Botox para enxaqueca crônica em casos específicos.
Como saber se o magnésio está funcionando para você?
A enxaqueca varia muito de um mês para o outro. Teve um mês mais tranquilo depois de começar o suplemento? Pode ter sido o magnésio, mas também uma fase com menos estresse, mais sono ou menos tempo de tela. Aliás, se esse último ponto te interessa, vale ler sobre luz azul e enxaqueca.
Para tirar conclusões menos enganosas, ajuda muito ter um ponto de comparação:
- Registre antes de começar. Anote por algumas semanas as suas crises, com a data, a duração e a intensidade.
- Mude uma coisa por vez. Se você muda suplemento, rotina de sono e alimentação ao mesmo tempo, fica impossível saber o que ajudou.
- Dê tempo. Como a proposta é preventiva, não faz sentido julgar em poucos dias. O médico pode orientar por quanto tempo observar no seu caso.
- Leve os registros à consulta. Eles ajudam o profissional a decidir se continua, ajusta ou troca de estratégia.
Também vale anotar os possíveis gatilhos nesse período: estresse, sono, telas, ciclo menstrual e alimentação. Assim fica mais fácil separar o que é efeito do suplemento do que é efeito da rotina.
Em resumo
O magnésio é um dos suplementos mais estudados para a prevenção da enxaqueca e pode ajudar algumas pessoas, mas não é garantido nem substitui o tratamento prescrito. A forma muda principalmente a tolerância do intestino, e a dose depende de cada caso, por isso ela deve vir de um profissional. Comece pela alimentação, tenha cuidado se você tem problema nos rins e registre as suas crises para saber, com dados, se está valendo a pena. Para ver outras ideias de prevenção, passe pelo nosso conteúdo sobre como gerenciar a enxaqueca.
Perguntas frequentes
O magnésio funciona para enxaqueca?
Pode ajudar algumas pessoas na prevenção, mas não é um tratamento garantido. A evidência é de nível intermediário e os resultados variam de pessoa para pessoa. O magnésio também não serve para cortar uma crise que já começou.
Qual forma de magnésio é melhor para enxaqueca?
Não há uma comparação direta e definitiva entre as formas para a enxaqueca nas fontes em português consultadas. A escolha costuma ser mais uma questão de tolerância digestiva: bisglicinato e citrato são citados como mais bem tolerados, enquanto óxido, carbonato, cloreto e gluconato estão mais associados à diarreia.
Qual dose de magnésio devo tomar?
A dose depende da pessoa, da alimentação, da forma escolhida, da função renal e dos remédios em uso. Por isso, ela deve ser definida por um médico ou outro profissional de saúde que conheça o seu caso, e não pela internet.
Quem deve evitar tomar magnésio sem orientação?
Pessoas com doença renal, que usam medicamentos de forma contínua, grávidas, quem planeja engravidar, quem amamenta e quem tem diarreia frequente devem falar com um profissional de saúde antes. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, na insuficiência renal pode haver acúmulo do mineral no organismo.
Como saber se o magnésio está funcionando?
Registre suas crises (data, duração e intensidade) por algumas semanas antes de começar e mude uma coisa por vez. Como a proposta é preventiva, é preciso dar tempo antes de avaliar, e levar os registros ao médico ajuda a decidir os próximos passos.
Fontes
- Magnésio para enxaqueca: o que dizem os estudos científicos? - Tua Saúde
- Arq Neuropsiquiatr 2002;60(1):159-169 RECOMENDAÇÕES PARA O TRATAMENTO
- Magnésio: saiba benefícios, onde consumi-lo e cuidados de suplementação
- Existem riscos em tomar vitaminas por conta própria?
- Como tomar magnésio para tratar a dor sem prejudicar a digestão num curto prazo - Tua Saúde
- pidolato de magnésio
- Dor de cabeça ou enxaqueca? Aprenda como diferenciar!
Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que convive com a enxaqueca desde os 21 anos. Saiba mais · Como escrevemos nossos artigos
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