← Voltar ao blog
Mulher pensativa segurando um comprimido, diante de um copo d'água e de diferentes remédios para enxaqueca
Tratamentos

Remédios para enxaqueca: como se orientar entre analgésicos, anti-inflamatórios e triptanos

Por Laurine Nicoletti11 min

Você sente a crise chegando e abre a gaveta: uma dipirona, um anti-inflamatório, talvez aquele triptano que o médico receitou há um tempo. Na farmácia, a prateleira de remédios para enxaqueca e dor de cabeça parece não ter fim, e cada embalagem promete alívio rápido. No meio disso tudo, é normal ficar com a dúvida: o que é para quê?

Neste texto, você vai ver como os remédios para enxaqueca usados na crise se dividem em famílias (analgésicos simples, anti-inflamatórios, triptanos e remédios para a náusea), o que cada uma faz e por que a escolha precisa passar por um médico ou farmacêutico. Aqui não tem dose nem indicação do que você deve tomar: é um mapa para você conversar melhor sobre o assunto. Se quiser a visão geral de todas as opções, inclusive as preventivas, o nosso guia sobre os tratamentos da enxaqueca reúne tudo.

Em resumo

  • Os remédios de crise se dividem em quatro grupos principais: analgésicos simples, anti-inflamatórios, triptanos e remédios para náusea.
  • Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, os triptanos são os únicos desenvolvidos especificamente para a enxaqueca, e têm contraindicações que o médico precisa avaliar.
  • Remédio de crise alivia a dor, mas não trata a enxaqueca em si, e o uso muito frequente pode piorar o quadro.
  • Quem escolhe o remédio e o momento de usá-lo é o médico, com a ajuda do farmacêutico: nenhuma lista na internet substitui isso.

Remédios para enxaqueca: por que existem tantas famílias para a mesma crise?

Existem vários grupos de remédios porque as crises variam em intensidade, e cada pessoa responde de um jeito. A Sociedade Brasileira de Cefaleia explica que as crises podem ser classificadas em leves, moderadas e intensas, conforme o quanto atrapalham as atividades do dia a dia. As leves muitas vezes respondem a medidas simples, como repouso e sono, enquanto as moderadas e intensas costumam pedir medicação.

Os remédios de crise, na prática, se organizam em grupos: anti-inflamatórios e analgésicos, triptanos, derivados do ergot (como a ergotamina) e remédios contra náusea, como a metoclopramida. O médico combina esses grupos conforme a sua história, as suas outras condições de saúde e o que já funcionou ou não com você.

Outro ponto importante é o tempo. O guia clínico do Hospital Israelita Albert Einstein orienta que o tratamento da crise seja iniciado cedo, de preferência na primeira hora. Por isso, ter um plano combinado com o médico antes da crise costuma ajudar mais do que decidir tudo no meio da dor.

Analgésicos simples: o que são e para que servem

Analgésicos simples, como a dipirona e o paracetamol, aliviam a dor sem agir sobre a inflamação. A Sociedade Brasileira de Cefaleia os lista como uma das opções do tratamento da crise, ao lado dos anti-inflamatórios, das ergotaminas e dos triptanos.

Segundo o guia do Einstein, crises leves podem ser tratadas com analgésicos simples ou anti-inflamatórios. Também existem produtos que combinam analgésico com cafeína, e o governo de Goiás cita essas associações entre as opções para crises de intensidade leve a moderada.

Uma ideia da própria Sociedade Brasileira de Cefaleia vale guardar: analgésicos não tratam a enxaqueca, apenas reduzem a intensidade e a duração das crises. Ou seja, eles aliviam o sintoma do dia, mas não mudam o jeito como a enxaqueca se comporta ao longo dos meses.

Anti-inflamatórios: um primeiro passo frequente

Anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco, aparecem com frequência entre as primeiras opções. A lista da Sociedade Brasileira de Cefaleia inclui naproxeno, diclofenaco, inibidores da COX-2, cetorolaco, ibuprofeno e tenoxicam entre os anti-inflamatórios usados na crise.

Eles agem reduzindo a produção de substâncias ligadas à inflamação e à dor. Na enxaqueca, o papel exato da inflamação ainda é estudado, e é por isso que o que está por trás da crise é mais complexo do que "uma dor de cabeça forte". Se você quiser entender melhor o que se passa no cérebro, o texto sobre as causas da enxaqueca explica de forma simples.

Anti-inflamatórios podem incomodar o estômago e não servem para todo mundo, por exemplo quem tem gastrite, problemas nos rins ou usa outros remédios. Essa é uma das razões pelas quais vale perguntar ao farmacêutico antes, mesmo quando o produto é vendido sem receita.

Triptanos: os remédios feitos para a enxaqueca

Os triptanos são a única família criada pensando na enxaqueca. A Sociedade Brasileira de Cefaleia destaca que, entre os tratamentos disponíveis, só os triptanos foram desenvolvidos tendo a enxaqueca como alvo. Entre os disponíveis estão o naratriptano, o rizatriptano, o sumatriptano e o zolmitriptano.

Eles agem em receptores de serotonina (5HT1B e 5HT1D), o que leva à constrição dos vasos da cabeça e à inibição da inflamação neurogênica que ocorre na enxaqueca. O guia do Einstein os indica para crises moderadas a graves ou que não melhoram com analgésicos, de preferência o mais cedo possível depois que a dor começa.

Como esses remédios provocam constrição dos vasos, existem restrições. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, os triptanos são contraindicados em pessoas com hipertensão arterial não controlada e com doença cardíaca isquêmica. Por isso, eles dependem de avaliação médica e, na prática, de uma conversa franca sobre o seu histórico de saúde.

Quer um mergulho completo no assunto? O artigo Triptanos para enxaqueca: tudo o que você precisa saber detalha como eles funcionam e o que esperar.

E quando a náusea atrapalha tudo?

Quando a náusea ou o vômito aparecem, o médico pode associar um remédio contra enjoo ao tratamento da dor. O guia do Einstein orienta que, em pessoas com náuseas ou vômitos, se associe um antiemético, e cita opções como metoclopramida, domperidona e ondansetrona. Quem decide qual entra no plano é o profissional de saúde.

Isso importa porque a náusea não é só desconforto: ela pode dificultar que você consiga tomar e manter o remédio de crise. Por isso, quem tem enjoo forte costuma precisar de uma estratégia pensada para isso, e não apenas de "mais um comprimido para a dor".

Se esse é o seu caso, vale ler também Enxaqueca e náusea: por que acontece e como aliviar sem remédio, que traz medidas de apoio que podem ajudar enquanto o tratamento é ajustado com o médico.

Gepantes: uma novidade que chegou ao registro da Anvisa

Os gepantes são uma classe nova de remédios para enxaqueca, e um deles já tem registro no Brasil. A Anvisa informa que aprovou o Nurtec ODT (rimegepanto), indicado a adultos no tratamento agudo da enxaqueca com ou sem aura e na prevenção da enxaqueca episódica em quem tem pelo menos quatro crises por mês.

Segundo a agência, ele atua bloqueando o CGRP, proteína ligada à inflamação e à dor da enxaqueca. Isso o torna diferente dos triptanos, que agem por outro caminho. Registro, porém, não é o mesmo que acesso: disponibilidade, preço e cobertura por plano de saúde são assuntos à parte, que o seu médico pode orientar.

A Anvisa também aprovou o atogepanto, indicado para prevenir crises em adultos com pelo menos quatro episódios por mês. Esse já é um remédio de tratamento de fundo, e não de crise. Para entender essa outra frente, veja Anti-CGRP e enxaqueca: o tratamento preventivo explicado.

Quantas vezes é demais? O risco da cefaleia por uso excessivo de remédio

Usar remédio de crise com muita frequência pode, ironicamente, aumentar as dores de cabeça. A Sociedade Brasileira de Cefaleia explica que tomar remédios para dor de 10 a 15 dias por mês, por 3 meses ou mais, facilita o aumento da frequência das crises.

O limite varia conforme o tipo de remédio. Para analgésicos comuns e anti-inflamatórios, a sociedade fala em 15 dias por mês ou mais, e para analgésicos combinados, triptanos, opioides e ergotamínicos, em 10 dias por mês ou mais. Isso não é uma regra para você se autoavaliar: é um sinal de que, se você chega perto desses números, precisa levar o assunto ao médico.

Se as suas dores estão aparecendo quase todo dia, o texto Dor de cabeça todos os dias: por que acontece e quando investigar ajuda a entender esse cenário.

Remédio de crise e tratamento preventivo: qual a diferença?

O remédio de crise age quando a dor já começou, e o tratamento preventivo é usado de forma contínua para reduzir a frequência e a intensidade das crises. Segundo o guia do Einstein, pessoas com dor de cabeça crônica devem ser orientadas a iniciar tratamento preventivo e a usar analgésico no máximo duas vezes por semana.

Quando as crises são frequentes, o foco costuma mudar: em vez de procurar "o remédio de crise mais forte", o médico pensa em reduzir quantas crises acontecem. Se você usa muito remédio de crise, esse é um bom motivo para pedir uma reavaliação, e não para sentir culpa.

Como preparar a conversa com o médico ou o farmacêutico

Chegar à consulta com informações organizadas faz o profissional decidir melhor e mais rápido. Se você ainda não sabe a quem recorrer, o artigo Enxaqueca: qual médico procurar e como preparar a consulta explica o caminho.

Antes da consulta, vale reunir:

  • Quantas crises você tem por mês e quanto tempo cada uma dura.
  • O que você já tomou, em que momento da crise e se ajudou, ajudou pouco ou não ajudou.
  • Quantos dias por mês você precisa de algum remédio para dor de cabeça.
  • Outras condições e remédios que você usa (pressão alta, problemas no coração ou no estômago, antidepressivos, anticoncepcional).
  • Sintomas que acompanham a dor, como náusea, vômito, sensibilidade à luz e aura.

Anotar tudo isso na hora é bem mais fiel do que tentar lembrar depois. O guia Diário de enxaqueca: o que anotar para ele servir de verdade mostra como fazer sem dar trabalho.

E se a dor nunca passa por completo, ou se ela vem acompanhada de sinais fora do seu padrão, não espere a próxima consulta: leia Dor de cabeça: quando ir ao pronto-socorro e quando dá para esperar.

Conclusão: você não precisa decidir tudo sozinha

Os remédios para enxaqueca formam um conjunto de ferramentas, e não uma competição para descobrir "o mais forte". Analgésicos simples e anti-inflamatórios costumam abrir o caminho, os triptanos são feitos sob medida para a enxaqueca e os remédios para náusea entram quando o enjoo complica. Os gepantes são uma novidade já registrada na Anvisa.

O que muda a sua vida na prática é ter um plano combinado com o médico, usar o remédio no momento certo e ficar de olho em quantos dias por mês você precisa dele. Remédio não é a única peça: medidas de apoio também têm seu lugar, como mostra o texto Como aliviar enxaqueca sem remédio. Nada disso substitui uma consulta, e pedir ajuda ao médico ou ao farmacêutico faz parte do tratamento.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor remédio para crise de enxaqueca?

Não existe um único "melhor" remédio: a escolha depende da intensidade das crises, da sua história de saúde e de como você respondeu ao que já usou. A Sociedade Brasileira de Cefaleia lista analgésicos, anti-inflamatórios, ergotaminas e triptanos como as opções de tratamento da crise, e é o médico quem define a combinação adequada para cada pessoa.

Posso tomar dipirona toda vez que tenho enxaqueca?

A dipirona está entre os analgésicos simples citados pela Sociedade Brasileira de Cefaleia para a crise, mas o uso muito frequente de analgésicos pode aumentar as dores de cabeça. Se você precisa de remédio para dor muitos dias por mês, converse com o médico para revisar o seu plano.

Triptano serve para qualquer dor de cabeça?

Não. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, os triptanos foram desenvolvidos especificamente para a enxaqueca e agem sobre mecanismos próprios dela. Por terem contraindicações (como hipertensão não controlada e doença cardíaca isquêmica), exigem avaliação médica.

Os gepantes já existem no Brasil?

A Anvisa aprovou o registro do rimegepanto (Nurtec ODT), indicado a adultos para o tratamento agudo e para a prevenção da enxaqueca episódica. Disponibilidade, preço e cobertura variam, então vale perguntar ao seu médico se faz sentido no seu caso.

Remédio de crise previne novas crises?

Não. A Sociedade Brasileira de Cefaleia afirma que os analgésicos só reduzem a intensidade e a duração da crise, sem tratar a enxaqueca em si. Para reduzir a frequência das crises existe o tratamento preventivo, que o médico indica quando necessário.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que convive com a enxaqueca desde os 21 anos. Saiba mais · Como escrevemos nossos artigos

Artigos relacionados

Todos os artigos “Tratamentos”

Baixe o Mellow

Gratuito para baixar. Registre sua primeira crise em poucos segundos.

4,8 em 62 avaliações
Baixar na App StoreDisponível no Google Play