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Mulher pensativa com a mão no queixo imagina duas dores de cabeça diferentes, nas têmporas e de um lado só
Diagnóstico

Diferença entre enxaqueca e dor de cabeça: como saber qual você tem

Por Laurine Nicoletti12 min

Você chega ao fim do dia com a cabeça pesada, como se tivesse um capacete apertado. Em outro dia, a dor vem de um lado só, latejando, e a luz do celular incomoda tanto que você só quer ficar no escuro. As duas situações são "dor de cabeça", mas qual é a diferença entre enxaqueca e dor de cabeça? Na prática, elas não são a mesma coisa.

A diferença entre enxaqueca e dor de cabeça está no tipo de dor, na intensidade, na duração e nos sintomas que vêm junto. Neste artigo, você vai ver como reconhecer cada uma, por que essa distinção importa e quando vale a pena conversar com um profissional de saúde. Este texto faz parte do nosso tema Diagnóstico da enxaqueca.

Em resumo

  • A enxaqueca é uma doença neurológica, não apenas uma dor de cabeça mais forte. Ela costuma vir com pulsação, náuseas e incômodo com luz e barulho.
  • A dor de cabeça "comum" mais frequente é a cefaleia do tipo tensional: dor leve a moderada, em aperto, que em geral não impede você de seguir o dia.
  • Observar a intensidade, o lado da dor, a duração e os sintomas associados ajuda a diferenciar as duas, mas só um profissional de saúde pode fazer o diagnóstico.
  • Anotar suas crises por algumas semanas dá ao médico informações valiosas para entender o seu padrão.

Qual é a diferença entre enxaqueca e dor de cabeça?

A principal diferença é que "dor de cabeça" é o nome geral (cefaleia), e a enxaqueca é um tipo específico de cefaleia, com características próprias. Existem muitos tipos de dor de cabeça, e a Sociedade Brasileira de Cefaleia cita como mais comuns a enxaqueca, a cefaleia do tipo tensional, a cefaleia em salvas e a cefaleia crônica diária.

Quando alguém diz "tenho dor de cabeça", pode estar falando de qualquer uma delas. Quando diz "tenho enxaqueca", está descrevendo um quadro que costuma ser mais intenso e mais incapacitante.

Para ter uma ideia da frequência: segundo a mesma página da Sociedade Brasileira de Cefaleia, em um grande estudo populacional a cefaleia tensional foi a mais comum, atingindo 78% da população, seguida da enxaqueca, com 16%. Ou seja, é muito normal ter os dois tipos ao longo da vida.

Uma frase de um neurologista do Hospital Geral de Fortaleza resume bem a ideia: enxaqueca não é sintoma, é doença.

Como é a cefaleia tensional, a dor de cabeça "clássica"?

A cefaleia tensional costuma causar uma dor leve a moderada, com sensação de pressão ou aperto na cabeça, principalmente na testa e nas laterais, segundo o Einstein. É aquela dor que faz você sentir a cabeça pesada, mas que normalmente não te impede de trabalhar ou estudar.

Alguns pontos típicos, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia:

  • a dor costuma ser dos dois lados, na frente, atrás ou na cabeça toda;
  • ela é pesada ou opressiva, de intensidade leve a moderada;
  • não piora com esforço físico;
  • dura de 30 minutos a 7 dias;
  • tende a ser mais forte no fim do dia ou no início da noite;
  • começa devagar, sem aviso prévio.

Muita gente associa esse tipo de dor a estresse, noites mal dormidas, tensão no pescoço e nos ombros ou longas horas diante do computador. Essas associações são comuns, mas o que causa cada episódio varia de pessoa para pessoa.

Como é uma enxaqueca?

A enxaqueca é uma dor geralmente pulsátil, de forte intensidade, que pode vir acompanhada de náuseas, vômitos e intolerância à luz ou ao som. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, as crises costumam durar de 4 a 72 horas e a dor geralmente é de um lado só, embora possa atingir os dois.

O Einstein acrescenta um detalhe importante: na enxaqueca, a dor de intensidade moderada a forte limita ou impede atividades do dia a dia, como caminhar ou subir escadas. É a dor que faz você largar o que está fazendo e procurar um quarto escuro e silencioso.

E a aura?

A aura é um conjunto de sintomas neurológicos temporários que aparece antes ou junto da dor, como luzes piscando ou áreas turvas na visão. De acordo com o guia de enxaqueca do Einstein, cerca de 20% das pessoas com enxaqueca têm aura, que geralmente desaparece em até 60 minutos. Quem não tem aura também tem enxaqueca: ela é só uma das formas possíveis.

Como o médico chega a esse diagnóstico?

O diagnóstico da enxaqueca é clínico, ou seja, baseado na sua história e nas características das crises, e não em um exame que "prova" a doença. O mesmo guia do Einstein explica que, na enxaqueca sem aura, são considerados pelo menos cinco episódios com características como dor de um lado, pulsátil e de intensidade moderada a forte, acompanhadas de náusea ou vômito, ou de sensibilidade à luz e ao som.

Por isso, você não precisa tentar se diagnosticar. O que ajuda é chegar à consulta sabendo descrever bem as suas crises.

Como saber se é enxaqueca ou dor de cabeça tensional?

Você pode comparar a intensidade, o lado da dor, o tipo de dor e o que acontece com o seu corpo durante o episódio. Este quadro resume as diferenças típicas descritas pela Sociedade Brasileira de Cefaléia e pelo Einstein:

Cefaleia tensionalEnxaqueca
Tipo de dorAperto, pressão, cabeça pesadaLatejante, pulsátil
IntensidadeLeve a moderadaModerada a forte
LadoEm geral dos dois ladosGeralmente de um lado, mas pode ser dos dois
Duração30 minutos a 7 dias4 a 72 horas
Atividade físicaNão pioraLimita ou impede atividades do dia a dia
Sintomas associadosEm geral nenhumNáuseas, vômitos, sensibilidade à luz e ao som

Lembre que isso é um guia geral. Há pessoas que sentem enxaqueca dos dois lados e quadros que misturam características dos dois tipos. Se você se reconhece nas colunas, o melhor passo é levar essas observações para uma consulta.

Um sinal prático: se a dor é tão forte que te tira da rotina e você precisa se deitar, vale investigar a hipótese de enxaqueca com um profissional.

Por que é importante saber a diferença?

Saber a diferença importa porque enxaqueca e dor tensional têm manejos diferentes, e um cuidado inadequado pode atrasar o alívio. Também porque muita gente com enxaqueca passa anos achando que "é só dor de cabeça forte" e nunca chega a falar disso com um médico.

Alguns motivos concretos:

  • Cuidado adequado. Cada tipo de cefaleia tem abordagens próprias, definidas pelo profissional que acompanha você. Entre elas estão tratamentos específicos para enxaqueca, como os do Botox para enxaqueca crônica, que só são indicados em situações bem definidas.
  • Evitar o excesso de analgésicos. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, usar medicação para alívio da dor com muita frequência (10 a 15 dias por mês, durante três meses ou mais) pode aumentar a frequência das crises. Se você toma remédio para dor de cabeça com frequência, converse com seu médico sobre isso, sem mudar nada por conta própria.
  • Identificar padrões. Com a enxaqueca, vale observar o que costuma antecipar as crises. Telas, por exemplo, são suspeitas frequentes, e o que se sabe sobre luz azul e enxaqueca é mais complexo do que parece.
  • Entender o histórico familiar. A enxaqueca tem um componente genético, e vale saber o que os estudos dizem sobre a enxaqueca ser hereditária.

Há ainda a cefaleia crônica diária, definida pela Sociedade Brasileira de Cefaleia como dor de cabeça em pelo menos 15 dias por mês. Se esse é o seu caso, vale muito uma avaliação médica.

Como anotar suas crises para entender melhor a sua dor?

A melhor forma é registrar cada episódio na hora em que ele acontece, com data, intensidade, duração e sintomas. A Sociedade Brasileira de Cefaleia lembra que o diagnóstico correto das cefaleias depende principalmente das informações que você dá sobre a sua dor, e que acompanhar a dor ao longo do tempo, em um diário ou calendário, ajuda muito.

O que vale a pena anotar:

  • o dia e a hora em que a dor começou e terminou;
  • a intensidade, de 0 a 10;
  • o lado da dor e se era pulsátil ou em aperto;
  • se teve náusea, vômito, incômodo com luz ou barulho, ou aura;
  • o que aconteceu nas horas anteriores (sono, estresse, refeições, telas, ciclo menstrual);
  • o que você fez e se atrapalhou suas atividades.

Com algumas semanas de registro, o padrão tende a ficar mais claro. E você chega à consulta com dados concretos, em vez de tentar lembrar de cabeça como foram os últimos meses.

Quando procurar um médico por causa das dores de cabeça?

Vale procurar um médico quando as dores são frequentes, atrapalham a sua rotina ou mudam de padrão. Também é importante buscar ajuda sem demora diante de sinais de alerta. Esses sinais podem indicar outras causas e merecem avaliação rápida.

A Sociedade Brasileira de Cefaleia lista, entre eles:

  • uma dor de início repentino, descrita como "a pior dor da vida";
  • mudança no padrão das dores de cabeça que você já conhece;
  • dor de cabeça que começa em idades pouco comuns, como antes dos 5 anos ou depois dos 50;
  • dor acompanhada de fraqueza, dormência, alterações na visão, dificuldade para falar ou perda de coordenação;
  • dor que acorda você durante o sono;
  • dor desencadeada por esforço físico;
  • dor associada a febre.

Se algum desses sinais aparecer, procure atendimento. Isso não quer dizer que algo grave esteja acontecendo, mas essas situações pedem uma avaliação que não deve esperar.

E no SUS?

No SUS, o caminho costuma começar pela unidade básica de saúde (UBS). Segundo a Secretaria da Saúde do Ceará, o ambulatório de cefaleia do Hospital Geral de Fortaleza recebe pacientes encaminhados de postos de saúde por meio da central de regulação. O fluxo muda conforme o município e o estado, então vale perguntar na sua UBS como funciona a referência para o neurologista na sua região.

Se a dor de cabeça aparece em crianças ou adolescentes, o cuidado também tem particularidades. Nosso guia sobre enxaqueca infantil para pais e mães pode ajudar.

Entender sua dor é o primeiro passo

Dor de cabeça e enxaqueca não são a mesma coisa, e reconhecer a diferença muda a forma como você se observa e se cuida. A cefaleia tensional costuma ser mais leve e em aperto. A enxaqueca é mais intensa, pulsátil, e vem com sintomas como náusea e sensibilidade à luz e ao som.

Como o diagnóstico é feito pelo médico a partir da sua história, o que você pode fazer hoje é observar e anotar. Não se culpe se você demorou a perceber: muita gente convive com a enxaqueca por anos achando que é "normal". Quando você entende o seu padrão, fica mais fácil conversar com um profissional e decidir, junto com ele, o próximo passo. Para continuar, veja também o tema Tratamentos da enxaqueca.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre enxaqueca e dor de cabeça?

Dor de cabeça (cefaleia) é o nome geral, e a enxaqueca é um tipo específico, com dor geralmente pulsátil, intensa, de um lado da cabeça e acompanhada de náuseas ou incômodo com luz e som. A cefaleia tensional, o tipo mais comum, costuma ser uma dor em aperto, de leve a moderada, que não impede as atividades.

Enxaqueca é só uma dor de cabeça muito forte?

Não. Segundo o Einstein, a enxaqueca é caracterizada por dor que pode vir com fotofobia (aversão à luz), sensibilidade a sons e cheiros, visão turva, náuseas e vômitos. Ela também pode ter aura em cerca de 20% das pessoas, de acordo com o guia de enxaqueca do próprio hospital.

Quanto tempo dura uma crise de enxaqueca e uma dor tensional?

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, a crise de enxaqueca costuma durar de 4 a 72 horas, enquanto a cefaleia do tipo tensional dura de 30 minutos a 7 dias. A duração, sozinha, não define o tipo de dor, por isso o médico considera o conjunto dos sintomas.

Posso descobrir sozinha se tenho enxaqueca?

Você pode observar sinais como dor pulsátil, náuseas e sensibilidade à luz, mas o diagnóstico é clínico e deve ser feito por um profissional de saúde. Anotar suas crises em um diário ajuda o médico a entender o seu quadro.

Quando a dor de cabeça exige atendimento rápido?

Quando é uma dor repentina, a "pior da vida", vem com febre, fraqueza, dormência, alteração na fala ou na visão, ou acorda você durante o sono, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia. Nesses casos, procure atendimento sem esperar.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que convive com a enxaqueca desde os 21 anos. Saiba mais · Como escrevemos nossos artigos

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