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Mulher de pijama listrado, olhos fechados, com a mão na têmpora, ao lado de símbolos de dor e de uma luz colorida
Sintomas

Enxaqueca sem aura: sintomas, duração e diferenças com a enxaqueca com aura

Por Laurine Nicoletti10 min

Tens uma dor de cabeça que pulsa de um lado, a luz incomoda-te, o cheiro do café do escritório dá-te náuseas e só te apetece ficar às escuras. Mas nunca viste luzinhas, riscos ou manchas antes da dor, e por isso pensas que "talvez não seja enxaqueca a sério". É muito provável que seja: a enxaqueca sem aura é a forma mais comum, e é a que a maioria das pessoas com enxaqueca tem.

Neste artigo explico, sem jargão, o que é a enxaqueca sem aura, como se sente, quanto tempo costuma durar e o que a distingue da enxaqueca com aura. Se quiseres uma visão mais geral do tema, tens também o nosso guia Sintomas da enxaqueca.

Em resumo

  • A enxaqueca sem aura é a forma mais frequente: segundo a CUF, as formas com aura afetam cerca de 15% das pessoas com enxaqueca.
  • Reconhece-se por uma dor geralmente de um lado da cabeça, pulsátil, com náuseas ou sensibilidade à luz e ao som, sem sintomas visuais ou sensitivos prévios.
  • Segundo a CUF, uma crise pode durar de poucas horas até três dias, com períodos totalmente livres de sintomas entre as crises.
  • A diferença para a enxaqueca com aura está nos sintomas neurológicos que a antecedem; para saber o que tens, só um médico pode fazer o diagnóstico.

O que é a enxaqueca sem aura?

A enxaqueca sem aura é uma crise de enxaqueca em que a dor de cabeça surge sem os sintomas neurológicos temporários que chamamos "aura". Não é uma enxaqueca "mais fraca" nem "menos a sério": é simplesmente a versão em que a dor e os sintomas associados chegam sem aviso visual ou sensitivo.

A enxaqueca é uma cefaleia primária, ou seja, é uma doença em si e não o sintoma de outra doença, e existem várias formas dela. Entre elas, a enxaqueca sem aura é a mais frequente: a CUF refere que as formas com aura afetam cerca de 15% das pessoas com enxaqueca.

Se alguma palavra te soar estranha (cefaleia, pródromo, fotofobia), o glossário da enxaqueca explica-as de forma simples.

Quais são os sintomas da enxaqueca sem aura?

Os sintomas típicos são uma dor de cabeça moderada a forte, muitas vezes de um só lado e pulsátil, acompanhada de náuseas e de sensibilidade à luz e ao som. A CUF descreve uma dor que tende a ser pulsátil, que piora com o esforço físico ou com movimentos da cabeça, e que se pode acompanhar de náuseas, vómitos e intolerância à luz, ao ruído e a alguns cheiros. Não é obrigatório que todos estes sinais apareçam ao mesmo tempo.

Para o diagnóstico, os critérios usados pelos médicos são mais precisos, e é o médico quem os avalia no teu caso.

E antes da dor? Os sinais de aviso

Algumas pessoas notam sinais antes da dor, e isto não é aura. Chama-se fase premonitória (ou pródromo).

Isto explica por que razão há quem diga "já sabia que ia ter uma crise" sem ter tido nenhuma aura. Reconhecer estes sinais pode ajudar-te a perceber o teu padrão.

Quanto tempo dura uma enxaqueca sem aura?

Uma crise de enxaqueca sem aura dura geralmente de algumas horas até três dias, segundo a CUF. Entre as crises, a pessoa fica completamente livre de sintomas, e essa é uma das pistas que a distingue de outros tipos de dor de cabeça.

Esse tempo inclui só a fase da dor? Nem sempre. Uma crise tem várias fases (a que vem antes, a dor e a recuperação depois), e por isso a sensação de "estar de rastos" pode prolongar-se para lá da dor. Podes ver cada fase em detalhe em Quanto tempo dura uma enxaqueca? As 4 fases de uma crise.

Nas crianças, a enxaqueca tende a ser mais curta, menos intensa e muitas vezes dos dois lados da cabeça, segundo a CUF. Se és mãe ou pai, o guia Enxaqueca em crianças e adolescentes pode ajudar.

Enxaqueca sem aura ou com aura: quais são as diferenças?

A grande diferença é que, na enxaqueca com aura, aparecem sintomas neurológicos temporários antes ou no início da dor, e na enxaqueca sem aura não aparecem. Tudo o resto (a dor pulsátil, as náuseas, a sensibilidade à luz) é muito parecido.

A aura consiste em sintomas visuais ou sensitivos completamente reversíveis, que normalmente precedem a dor. A CUF dá exemplos: perceção de pontos, linhas ou figuras luminosas, e formigueiros ou dormência na face ou num membro.

Em resumo:

Sem auraCom aura
Sintomas visuais ou sensitivos préviosNãoSim, temporários e reversíveis
Dor de cabeça pulsátil, náuseas, sensibilidade à luzSimGeralmente sim
FrequênciaA forma mais comumCerca de 15% das pessoas com enxaqueca

Uma mesma pessoa pode ter os dois tipos em momentos diferentes. Se queres perceber melhor o que se sente na aura, lê Enxaqueca com aura: como reconhecer os sinais antes da crise. E se os teus sintomas são sobretudo visuais, vê também enxaqueca ocular (oftálmica).

Para ver como estes números se distribuem no mundo e em Portugal, tens Enxaqueca em números.

Será enxaqueca ou uma dor de cabeça "normal"?

Uma enxaqueca distingue-se pela combinação de dor intensa, sintomas associados (náuseas, luz, ruído) e períodos totalmente livres entre as crises. Uma dor de cabeça "normal" costuma ser mais leve e sem este conjunto de sinais.

Podes fazer uma primeira reflexão com perguntas simples:

  • A dor é forte e fica de um lado, ou pulsa?
  • Piora quando subo escadas ou me mexo, e apetece-me ficar quieta?
  • A luz, o barulho ou os cheiros incomodam-me?
  • Tenho náuseas?
  • Entre as crises, fico bem?

Se respondeste "sim" a várias, vale a pena falar com o teu médico. Só um profissional de saúde pode confirmar o diagnóstico, e o artigo Diferença entre enxaqueca e dor de cabeça explica a comparação com mais calma. Se a dor de cabeça aparece todos os dias, lê Dor de cabeça todos os dias.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe nenhum exame específico para diagnosticar a enxaqueca: o diagnóstico baseia-se na história clínica e no exame físico e neurológico, segundo a MiGRA Portugal. O médico vai querer saber onde é a dor e como é, quando começou, com que frequência e quanto tempo dura, que outros sintomas tens e se há enxaqueca na família.

Por isso, a tua descrição é muito importante. A mesma associação recomenda preencher um calendário das crises com os dias de dor, a intensidade, a medicação utilizada e os sintomas associados, e aponta que o uso do diário durante pelo menos seis meses pode revelar padrões. Podes começar pelo teu médico de família, que decidirá se faz sentido ir a um neurologista.

Se tens curiosidade sobre a componente familiar, o artigo Enxaqueca hereditária explica o que se sabe.

Quando consultar e quando pedir ajuda urgente?

Consulta o médico se as crises são frequentes, se mudam de padrão ou se afetam o teu trabalho e a tua vida. Procura ajuda urgente se tiveres uma dor de cabeça repentina e muito intensa, ou outros sinais de alarme.

Segundo a CUF, deves contactar um serviço de urgência se a dor for intensa e vier acompanhada de visão desfocada ou dupla, tonturas e confusão, febre e calafrios, ou se tiveste um traumatismo. A mesma fonte refere que febre alta com dor de cabeça e rigidez no pescoço é motivo para ir a um serviço de urgência, tal como uma dor mais forte e repentina do que alguma vez sentiste, ou dificuldades novas na comunicação, na visão ou no equilíbrio.

Em Portugal, para situações que não colocam a vida em risco imediato, podes ligar para o SNS 24 (808 24 24 24); perante risco de vida ou sinais de emergência, o número é o 112, como explica a DECO PROTESTE. Em caso de dúvida, liga e pede orientação, não tens de decidir sozinha.

O que podes fazer já

Começa por observar e registar, sem pressão. Anotar cada crise (hora de início, duração, intensidade, o que fizeste antes) ajuda-te a ti e ao médico a perceber o teu padrão.

Algumas ideias práticas:

  • Anota os sinais de aviso que sentires antes da dor, porque podem ser o teu "pródromo".
  • Repara nos possíveis desencadeantes, como o stress, o sono, os ecrãs, a alimentação ou o ciclo menstrual. O guia Como identificar os desencadeantes da enxaqueca mostra como fazer isto passo a passo.
  • Leva o teu registo à consulta, para falares de factos e não só de memórias.
  • Fala com o teu médico sobre tratamentos: ele é quem pode dizer o que é adequado para ti.

Os desencadeantes variam muito de pessoa para pessoa, e muitos não estão provados para todas. Por isso, o objetivo não é evitar tudo, mas perceber o que se repete no teu caso.

Conclusão

A enxaqueca sem aura é a forma mais comum de enxaqueca: dor pulsátil, muitas vezes de um lado, com náuseas ou sensibilidade à luz e ao som, e sem aviso visual ou sensitivo. Pode durar de algumas horas a três dias, e a diferença para a enxaqueca com aura está apenas nos sintomas neurológicos que a antecedem. Se te revês nesta descrição, o melhor primeiro passo é registar as tuas crises e falar com o teu médico de família.

Perguntas frequentes

A enxaqueca sem aura é menos grave do que a enxaqueca com aura?

Não é possível dizer que uma é "menos grave": a diferença está nos sintomas que antecedem a dor e não na importância da doença. A dor e os sintomas associados podem ser igualmente incapacitantes nos dois casos, por isso vale a pena falar com o médico, seja qual for o tipo.

Posso ter enxaqueca sem aura e com aura?

Sim, há pessoas que têm crises com aura e outras sem aura. É o teu médico que avalia o que se passa no teu caso.

Enxaqueca sem aura pode ser só dor de cabeça de um lado?

Pode começar assim, mas para ser enxaqueca costuma haver mais sinais: dor pulsátil, náuseas ou sensibilidade à luz e ao som, e agravamento com o esforço. Nas crianças, a dor é muitas vezes dos dois lados, segundo a CUF.

Preciso de fazer exames para saber se tenho enxaqueca sem aura?

Não existe um exame específico que confirme a enxaqueca. O médico baseia-se na tua história clínica e no exame físico e neurológico, e pode pedir exames noutras situações, se achar necessário.

As mulheres têm mais enxaqueca sem aura?

A enxaqueca é mais frequente nas mulheres, mas os dados por tipo (com ou sem aura) variam entre estudos. Para os números gerais, vê Enxaqueca em números.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que vive com enxaqueca desde os 21 anos. Saber mais · Como escrevemos os nossos artigos

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