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Mulher pensativa segurando um livro aberto, cercada de balões com cérebro, aura, comprimidos e óculos de sol
O essencial

Glossário da enxaqueca: os termos que ouves explicados de forma simples

Por Laurine Nicoletti11 min

Estás na consulta e o médico fala em "cefaleia primária", "aura" ou "profilaxia". Ou pesquisas os teus sintomas e encontras "fotofobia", "osmofobia", "anti-CGRP". Sais de lá com a sensação de que falta metade da conversa, e um glossário enxaqueca em linguagem simples teria ajudado.

Procuras um glossário enxaqueca simples? Esta página junta, num só lugar, as palavras mais comuns, explicadas em linguagem do dia a dia. Não substitui o teu médico, mas ajuda-te a perceber o que ouves e a fazer melhores perguntas. Faz parte do nosso espaço Tudo sobre a enxaqueca, onde explicamos as crises sem jargão.

Em resumo

  • Cefaleia é o termo médico para dor de cabeça, e a enxaqueca é uma cefaleia primária, ou seja, a própria doença e não a consequência de outra condição.
  • Segundo a CUF, a aura afeta cerca de 15% das pessoas com enxaqueca e costuma durar entre 10 e 30 minutos, antes da dor.
  • Fotofobia, fonofobia e osmofobia são o desconforto com a luz, o ruído e os cheiros, sintomas muito comuns na enxaqueca.
  • Triptanos, anti-CGRP e toxina botulínica são tratamentos que só o médico pode prescrever e adaptar a cada pessoa.

Porque vale a pena conhecer o vocabulário da enxaqueca?

Quando tens as palavras certas, descreves melhor o que sentes. E isso conta: na consulta, falar de forma precisa sobre a dor, os sintomas que a acompanham e a frequência das crises ajuda o médico a avaliar a situação.

A CUF refere que, para a consulta, é recomendado levar um registo da frequência das dores de cabeça, da medicação usada e dos fatores desencadeantes. Saber o nome de cada coisa torna esse registo mais fácil.

Os tipos de dor de cabeça: cefaleia, enxaqueca e as outras

Cefaleia

Cefaleia é simplesmente o termo médico para dor de cabeça. Enxaqueca é um tipo de cefaleia, mas nem toda a cefaleia é enxaqueca. Por isso, quando ouves "cefaleias" no plural, o médico está a falar do grupo todo.

Cefaleia primária

Uma cefaleia primária é uma dor de cabeça que é a própria doença, e não consequência de outra condição. A CUF descreve a enxaqueca como uma cefaleia primária, com episódios de dor muito intensos intervalados por períodos sem sintomas.

Enxaqueca

A enxaqueca (também se escreve "migrânea" em textos mais técnicos) costuma afetar um dos lados da cabeça, com dor por vezes pulsátil, acompanhada de intolerância à luz, ao ruído ou até a cheiros. A dor tende a agravar-se com o esforço físico ou com os movimentos da cabeça.

Cefaleia de tensão

É a dor mais leve, do tipo pressão ou aperto, nos dois lados da cabeça, que não piora com a atividade. É muitas vezes confundida com enxaqueca, e a diferença nem sempre é óbvia sem avaliação médica.

Cefaleia em salvas

Uma dor muito intensa, só de um lado, concentrada na têmpora e atrás do olho. Dura entre 15 minutos e três horas e pode repetir-se até oito vezes num dia, durante vários dias ou semanas. Chama-se "em salvas" por vir em períodos agrupados.

Enxaqueca ocular

A CUF descreve-a como um tipo raro de enxaqueca com sintomas visuais, como perda de visão num dos olhos, geralmente breve (menos de uma hora). Não é igual à aura visual, que é muito mais frequente. Qualquer alteração de visão deve ser avaliada por um profissional.

Enxaqueca vestibular

Forma de enxaqueca em que a dor de cabeça se junta a vertigens e desorientação. "Vestibular" refere-se ao sistema do equilíbrio, no ouvido interno.

Quais são as fases de uma crise de enxaqueca?

Os médicos falam de fases porque uma crise não é só a dor. Nem todas as pessoas passam por todas, e a experiência varia muito de pessoa para pessoa.

  • Pródromo: o período que vem antes da dor, em que algumas pessoas notam sinais de que a crise se aproxima.
  • Aura: sintomas passageiros que precedem a dor em alguns casos (explicamos abaixo).
  • Fase da dor: a dor de cabeça propriamente dita, com os sintomas associados.
  • Pós-dromo: a fase depois da dor, em que muita gente se sente cansada ou "de ressaca".

Quanto à duração, a CUF indica que uma crise pode durar de quatro a 72 horas. Se quiseres ir mais fundo, o nosso guia sobre a hereditariedade explica também porque certas pessoas são mais suscetíveis.

Sintomas: o que significam as palavras difíceis?

Aura

A aura são sintomas neurológicos transitórios que surgem em alguns tipos de enxaqueca. Segundo a CUF, afeta cerca de 15% das pessoas com enxaqueca. As mais comuns são visuais: perda de visão num dos lados do campo visual, imagens turvas, pontos luminosos, figuras geométricas ou ziguezagues brilhantes.

Outras auras manifestam-se por formigueiro ou dormência num lado da face ou numa das mãos. Os sintomas costumam durar cerca de 10 a 30 minutos e surgem antes da dor.

Fotofobia, fonofobia e osmofobia

Parecem palavras assustadoras, mas são simples:

  • Fotofobia: desconforto com a luz.
  • Fonofobia: desconforto com o ruído.
  • Osmofobia: desconforto com certos cheiros.

A CUF explica que podem ocorrer em conjunto ou isoladamente e que são características muito comuns da enxaqueca. Não são "fobias" no sentido psicológico: é o corpo a reagir de forma exagerada ao estímulo.

Sintomas gastrointestinais

Náuseas, vómitos, perda de apetite ou até diarreia. A CUF indica que estes são os sintomas acompanhantes mais comuns.

Pulsátil

Descreve uma dor que "bate" ao ritmo do coração. É uma das formas de descrever a dor da enxaqueca, mas nem todas as pessoas a sentem assim.

Enxaqueca crónica, episódica e uso excessivo de medicação: o que é a frequência?

Os termos sobre frequência confundem muita gente, por isso vale a pena separar:

  • Enxaqueca episódica: as crises aparecem de vez em quando, com períodos livres de dor entre elas. É a forma em que a CUF descreve a enxaqueca: episódios recorrentes com intervalos completamente livres.
  • Enxaqueca crónica: quando as dores de cabeça acontecem em muitos dias por mês, durante um período prolongado. O número exato de dias que define o diagnóstico é uma decisão do médico, por isso não fiques a contar dias sozinha para te "classificares".
  • Cefaleia por uso excessivo de medicação: quando o uso muito frequente de analgésicos ou outros medicamentos para a dor passa a alimentar as próprias dores de cabeça. A CUF refere que quem precisa de analgésicos em dias repetidos pode precisar de consulta especializada.

Este último ponto não é motivo para alarme nem para parar nada por tua conta. É uma razão para falares com o teu médico se estás a tomar analgésicos com muita frequência.

Tratamentos: o que significam os nomes que ouves?

Aqui o objetivo é só informar. Que tratamento faz sentido para ti é sempre uma conversa com o teu médico.

Tratamento da crise (agudo)

É o que se usa quando a dor já começou. A CUF refere que analgésicos simples e anti-inflamatórios costumam ser eficazes em crises leves e moderadas. Existem também fármacos específicos para a enxaqueca, como os triptanos e a ergotamina.

Triptanos

Medicamentos desenhados especificamente para a enxaqueca, usados na crise e prescritos pelo médico. A escolha e a utilização dependem de cada pessoa, por isso não são para tomar por conta própria.

Tratamento preventivo (profilaxia)

Em vez de tratar a crise, tenta reduzir a frequência, a duração e a intensidade das crises seguintes. A CUF descreve que o objetivo do tratamento é resolver as crises e também impedir novas ou reduzir a sua frequência, duração e intensidade. A consulta de cefaleia da CUF fala também em medidas não farmacológicas como parte do plano.

Anti-CGRP (anticorpos monoclonais)

Uma classe mais recente de tratamentos preventivos. A CUF refere a avaliação de elegibilidade para anticorpos monoclonais anti-CGRP em casos selecionados. CGRP é uma molécula que os investigadores associam à enxaqueca, e estes medicamentos atuam sobre ela.

Toxina botulínica (Botox) e protocolo PREEMPT

A mesma consulta menciona a aplicação de toxina botulínica segundo o protocolo PREEMPT. Explicamos o que isto significa, passo a passo, no artigo sobre Botox para enxaqueca crónica e o protocolo PREEMPT.

Que palavras vais ouvir sobre causas e desencadeantes?

Fator desencadeante (ou precipitante)

É algo que, em pessoas suscetíveis, pode aumentar a probabilidade de uma crise. A CUF dá como exemplos certos alimentos, bebidas alcoólicas, stress, menstruação, jejum, alterações do sono, esforços intensos ou a toma de certos fármacos. Um desencadeante não é uma causa: o mesmo fator pode afetar uma pessoa e não outra, e nem sempre desencadeia uma crise.

Sobre os ecrãs, que muita gente aponta como culpados, temos um artigo à parte: enxaqueca e ecrãs, a luz azul é mesmo a culpada?.

Enxaqueca menstrual

Muitas mulheres reconhecem o padrão: as crises surgem perto das menstruações. A CUF refere que a enxaqueca tem características muito associadas ao ciclo reprodutivo, com maior prevalência depois da primeira menstruação ou durante o período menstrual. Se tomas a pílula e tens enxaqueca, vale a pena falar disso com o médico, até porque a enxaqueca aparece entre as contraindicações a ter em conta nos contracetivos orais combinados.

Diário e outras ferramentas de acompanhamento

Diário de cefaleias

É um registo simples das tuas crises: quando começaram, quanto duraram, que intensidade tiveram, o que tomaste e o que aconteceu antes. A CUF inclui o diário de cefaleias nas medidas de estilo de vida para o diagnóstico e tratamento.

Intensidade, duração e tendência

Palavras que vais usar muito ao fazer o registo. A intensidade costuma ser descrita numa escala de 0 a 10, a duração em horas e a tendência é a forma como estes valores evoluem ao longo dos meses. Ver tendências ajuda a perceber se há padrões, sem tirar conclusões precipitadas.

Sinais de alarme

Em medicina, "sinais de alarme" são sintomas que pedem avaliação rápida. A CUF indica que deves procurar ajuda imediata se a dor for mais forte e repentina do que alguma vez sentiste, ou se surgirem dificuldades de comunicação, visão ou equilíbrio que não tinhas antes. Também se houver febre e calafrios ou depois de um traumatismo. Nestes casos, liga para o SNS 24 ou dirige-te a um serviço de urgência.

Como usar este glossário no dia a dia

Não precisas de decorar nada. Guarda esta página e volta a ela quando uma palavra te aparecer num relatório, numa receita ou numa pesquisa.

Algumas ideias práticas:

  • Descreve com as palavras certas: em vez de "dói muito", diz se é pulsátil, de que lado, se tens náuseas ou se a luz te incomoda.
  • Anota a aura: se tens perturbações visuais ou formigueiros antes da dor, regista quanto tempo duram.
  • Conta os dias de analgésico: é uma informação útil para o médico.
  • Pergunta sempre: se uma palavra não ficou clara, pede que a expliquem. Isso faz parte da consulta.

Se és mãe ou pai e estas palavras te surgem por causa de um filho, o nosso guia sobre enxaqueca em crianças e adolescentes pode ajudar. E se queres saber como reduzir o impacto das crises no teu quotidiano, passa pelo pilar Desencadeantes da enxaqueca.

Conhecer o vocabulário não cura nada, mas tira peso à confusão. Com o tempo, as palavras deixam de parecer um código e passam a ser só ferramentas para te explicares.

Perguntas frequentes

O que é uma cefaleia primária?

É uma dor de cabeça que é a própria doença, e não consequência de outra condição. A CUF descreve a enxaqueca como uma cefaleia primária, com episódios de dor muito intensos intervalados por períodos sem sintomas.

O que é a aura na enxaqueca?

A aura são sintomas neurológicos transitórios que surgem em alguns tipos de enxaqueca, geralmente visuais, como pontos luminosos ou ziguezagues brilhantes. Segundo a CUF, afeta cerca de 15% das pessoas com enxaqueca e dura cerca de 10 a 30 minutos.

Fotofobia, fonofobia e osmofobia são fobias?

Não, não são fobias no sentido psicológico. Designam o desconforto com a luz, o ruído e certos cheiros, uma reação exagerada do corpo ao estímulo, muito comum na enxaqueca.

Qual é a diferença entre enxaqueca episódica e crónica?

Na enxaqueca episódica, as crises aparecem de vez em quando, com períodos livres de dor entre elas. Na crónica, as dores de cabeça acontecem em muitos dias por mês, durante um período prolongado, e o diagnóstico é uma decisão do médico.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que vive com enxaqueca desde os 21 anos. Saber mais · Como escrevemos os nossos artigos

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