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Homem de olhos fechados com a mão na têmpora, ao lado de um relógio e das fases da enxaqueca
Sintomas

Quanto tempo dura uma enxaqueca? As 4 fases de uma crise

Por Laurine Nicoletti8 min

Acordas com uma dor que pulsa de um lado da cabeça, cancelas o que tinhas planeado e ficas a pensar: quanto tempo dura uma enxaqueca, afinal? Ou então a dor já passou, mas continuas cansada, sem conseguires concentrar-te, e perguntas-te se a crise realmente acabou.

A resposta curta é que a fase de dor dura entre 4 e 72 horas. Neste artigo vamos ver o que esperar e quando vale a pena falar com um médico. Se queres uma visão geral do tema, tens mais conteúdos na nossa secção Sintomas da enxaqueca.

Em resumo

  • A fase de dor de uma enxaqueca dura, em geral, entre 4 e 72 horas.
  • Anotar a duração das tuas crises ajuda-te a ti e ao teu médico a perceber o teu padrão.

Quanto tempo dura a fase de dor de uma enxaqueca?

A fase de dor de uma enxaqueca dura normalmente entre 4 e 72 horas. É esta a duração descrita pela CUF.

É uma janela larga, e é normal: duas pessoas diferentes (ou até duas crises da mesma pessoa) podem ter durações muito distintas. Há crises que cedem ao fim de umas horas e outras que ocupam um dia inteiro ou mais.

Esta dor costuma ser pulsátil, de um só lado da cabeça, e pode vir com náuseas, vómitos e sensibilidade à luz, ao ruído e a alguns cheiros. Piora, muitas vezes, com o esforço físico ou com o movimento.

É nesta fase que a vida real se complica: o trabalho, as aulas, o treino, o jantar com amigas. Por isso é tão útil saber quanto tempo tende a durar para ti, e não apenas em média.

Um intervalo tão largo como o de 4 a 72 horas diz-te pouco sobre o teu dia de amanhã. Saber, por exemplo, que as tuas crises costumam ocupar a tarde e a noite, ou que tendem a prolongar-se pelo dia seguinte, ajuda-te a perceber o que é realista planear e o que podes adiar sem culpa.

Também ajuda a decidir com mais calma. Se já sabes que uma crise pode durar horas, é mais fácil avisar o trabalho ou a faculdade cedo, em vez de esperares até ao último momento. Não é desistir: é ajustar o dia à crise que tens.

Por fim, convém olhar para a crise como um todo. A dor é a parte mais óbvia, mas a forma como te sentes antes e depois também conta, e é por isso que o cansaço ou a dificuldade em concentrar-te depois da dor merecem ser anotados, mesmo quando já "passou".

Algumas pessoas notam que a dor melhora depois de dormir; outras acordam com ela. Isso varia, e o que funciona (ou não) para ti é uma conversa a ter com o teu médico, que é quem pode orientar o tratamento da crise.

A aura e outros sintomas

Alguns sintomas, como alterações visuais e sensitivas, são por vezes chamados "auras". A CUF refere estes sintomas visuais e sensitivos.

Uma aura costuma assustar na primeira vez, sobretudo quando afeta a visão ou a fala. Se é a primeira vez que te acontece, ou se for diferente do habitual, deves falar com um médico para perceber o que se passa. Quando for súbito e intenso, ou se sentires algo que te preocupe, procura ajuda médica sem esperar.

Na prática, vale a pena anotar se algo parecido com uma aura aparece antes da dor e quanto tempo dura. Mesmo sem saberes explicar bem o que sentiste, descrever o que viste ou sentiste, e em que altura, ajuda o médico a perceber melhor a tua crise.

Nem todas as pessoas com enxaqueca têm estes sintomas, e não ter aura não quer dizer que a tua dor seja menos real. O importante é conheceres o teu padrão: o que costuma acontecer, por que ordem e durante quanto tempo, para saberes o que é habitual em ti e o que foge ao normal.

E se tenho enxaqueca muitos dias por mês?

A frequência das crises conta tanto como a duração de cada uma. Se tens dor de cabeça muitos dias por mês, vale muito a pena ir a uma consulta: existem abordagens específicas para estes casos, que só o médico pode avaliar e prescrever. Podes ler, a título informativo, sobre o Botox na enxaqueca crónica e o protocolo PREEMPT.

Muitas vezes, quando as crises se repetem, a vida fica organizada em torno delas: evitas marcar planos, adias tarefas, ficas em alerta à espera da próxima. Isto cansa, e é uma boa razão para pedires ajuda em vez de aguentares sozinha.

Contar os dias com dor ao longo do mês é um bom ponto de partida para essa conversa. Não precisas de ter todas as respostas: basta chegares com o registo das crises e dizeres o quanto elas afetam o teu dia a dia, e o médico ajuda-te a perceber os passos seguintes.

Quando é que uma enxaqueca dura demais?

Uma crise que ultrapassa as 72 horas, ou que é diferente do que costumas sentir, é um bom motivo para falar com um profissional de saúde. A janela habitual de dor descrita pela CUF vai das 4 às 72 horas, por isso uma dor que vai muito além disso merece ser avaliada.

Procura ajuda urgente se a dor for súbita e muito intensa, ou se vier acompanhada de febre, rigidez do pescoço, confusão, alterações da visão ou da fala que não sejam as tuas habituais, ou depois de uma pancada na cabeça. Em Portugal, podes ligar para o SNS 24 (808 24 24 24) para ser orientada, e ligar para o 112 numa situação grave.

Este artigo é informativo e não substitui uma consulta. Nunca deves mudar ou iniciar medicação por conta própria: é uma decisão do teu médico.

Porque é que vale a pena anotar a duração das crises?

Anotar a duração das crises permite-te ver um padrão que a memória, sozinha, raramente guarda. Dois dias depois, já é difícil lembrares-te de quando começou o cansaço, quando apareceu a dor e quando te sentiste outra vez normal.

Com um registo simples, podes perceber:

  • quanto dura, em média, a tua fase de dor, e se há crises claramente mais longas;
  • se há sinais de aviso que se repetem antes da dor;
  • quantos dias por mês tens dor, algo que o teu médico vai querer saber;
  • se certos fatores (sono, stress, ciclo menstrual, ecrãs, alimentação) aparecem antes das crises mais longas. Sobre os ecrãs, tens um artigo sobre enxaqueca e luz azul.

Chegar à consulta com datas, durações e intensidades é muito mais útil do que tentar lembrar tudo de cabeça.

Na prática, não precisas de um diário complicado. Para cada crise, basta guardares a hora a que a dor começou, a hora a que sentiste que tinha passado e a intensidade, por exemplo numa escala de 0 a 10. Se te lembrares, acrescenta o que aconteceu nas horas anteriores: dormiste pouco, estiveste muito tempo em frente a um ecrã, estavas stressada ou perto da menstruação.

Com o tempo, estes registos mostram o que a memória deforma. Uma crise que te pareceu interminável pode ter durado menos do que pensas, e uma que achaste leve pode ter-se arrastado por muitas horas. Ver isto no papel ou no calendário dá-te mais confiança para falar do assunto.

Não se trata de encontrar uma causa única nem de te culpares por nada. Trata-se de teres informação concreta para conversares com o teu médico, que é quem pode avaliar o teu caso e decidir o que faz sentido para ti.

Conclusão

A fase de dor de uma enxaqueca tem, em geral, entre 4 e 72 horas, mas a forma como te sentes antes e depois pode variar muito de pessoa para pessoa. Ser menos dura contigo mesma durante a recuperação também faz parte do processo.

Se as tuas crises forem frequentes, muito longas ou diferentes do habitual, fala com o teu médico. E, entretanto, ir registando cada crise é um primeiro passo simples para a conheceres melhor.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a dor de uma enxaqueca?

A dor de uma enxaqueca dura normalmente entre 4 e 72 horas, segundo a CUF. Varia muito de pessoa para pessoa e de crise para crise.

Uma dor de cabeça que dura mais de 72 horas ainda é enxaqueca?

Pode ser, mas é um motivo para procurar avaliação médica. A CUF descreve as crises de enxaqueca como durando até 72 horas, por isso uma dor que se prolonga além disso, ou que é diferente do habitual, deve ser vista por um profissional de saúde.

Porque é que vale a pena anotar a duração das crises de enxaqueca?

Anotar a duração permite ver um padrão que a memória raramente guarda, como a duração média da fase de dor e o número de dias com dor por mês. Chegar à consulta com datas, durações e intensidades ajuda o médico a perceber melhor o teu caso.

Quando devo procurar ajuda urgente por causa de uma dor de cabeça?

Procura ajuda urgente se a dor for súbita e muito intensa, ou se vier acompanhada de febre, rigidez do pescoço, confusão, alterações da visão ou da fala diferentes das habituais, ou depois de uma pancada na cabeça. Em Portugal, podes ligar para o SNS 24 (808 24 24 24) e para o 112 numa situação grave.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que vive com enxaqueca desde os 21 anos. Saber mais · Como escrevemos os nossos artigos

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