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Mulher de olhos fechados e mão na têmpora, cercada por quatro balões com cabeças doloridas
Sintomas

Tipos de enxaqueca: com aura, sem aura, crônica, vestibular e outras formas

Por Laurine Nicoletti12 min

Você já ouviu falar em enxaqueca com aura, enxaqueca crônica, enxaqueca vestibular e ficou sem saber qual dos tipos de enxaqueca combina com as suas crises? Talvez uma amiga tenha "enxaqueca ocular", a médica tenha falado em "enxaqueca sem aura" e, no meio disso tudo, você só queria entender o que está acontecendo com a sua cabeça.

Os tipos de enxaqueca não são doenças diferentes e separadas. São formas de descrever como a crise aparece (com ou sem sinais antes da dor), com que frequência ela vem e quais sintomas dominam. Este artigo é um mapa simples dessas formas, e cada parada do mapa leva a um texto mais detalhado. Para ver o quadro geral, você também pode passar pela nossa página sobre como entender a enxaqueca.

Em resumo

  • A enxaqueca é dividida em dois grandes grupos: sem aura (a maioria dos casos) e com aura, em que sinais neurológicos passageiros aparecem antes ou durante a dor.
  • Outra divisão é pela frequência: episódica (menos de 15 dias de dor de cabeça por mês) e crônica (15 dias ou mais, por mais de três meses).
  • A enxaqueca vestibular é aquela em que tontura e vertigem dominam, às vezes sem dor de cabeça; as formas hemiplégica, de tronco encefálico e retiniana são raras.
  • Uma mesma pessoa pode ter mais de um tipo ao longo da vida, e só um profissional de saúde pode dizer qual é o seu caso.

Quais são os tipos de enxaqueca e como são classificados?

Os médicos classificam a enxaqueca olhando para três coisas: se existe aura, quantos dias por mês a dor aparece e qual sintoma domina a crise. A classificação usada no mundo todo separa a enxaqueca em enxaqueca sem aura, enxaqueca com aura e outras formas mais específicas, como a vestibular e a crônica.

Isso importa menos como "rótulo" e mais como bússola. Saber em que parte do mapa você está ajuda a conversar com o médico, a entender por que a crise da sua colega é tão diferente da sua e a perceber o que vale a pena anotar.

Um ponto de partida importante: enxaqueca não é "só uma dor de cabeça forte". Se você ainda tem dúvida sobre isso, vale ler a diferença entre enxaqueca e dor de cabeça. Se algum termo aqui soar estranho, o glossário da enxaqueca explica tudo em linguagem simples.

Enxaqueca sem aura: a forma mais comum

A enxaqueca sem aura é a forma mais frequente: segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, entre 70% e 80% das pessoas com enxaqueca têm esse tipo. Ela traz todos os sinais da enxaqueca, mas sem os sintomas de aura que veremos a seguir.

Na prática, é uma dor de cabeça que costuma ser latejante, geralmente de um lado da cabeça, de intensidade moderada a forte. Ela pode vir com enjoo, vômito e incômodo com luz e barulho, como descreve a própria sociedade. Em geral, a crise dura de 4 a 72 horas, segundo a revista Headache Medicine.

Muitas vezes a pessoa nem sabe que tem "um tipo": só sente que a dor piora ao subir escadas, que precisa se deitar no escuro e que o dia vai embora. Se isso soa familiar, o artigo sobre enxaqueca sem aura: sintomas, duração e diferenças detalha cada ponto. E para entender como o tempo de uma crise se divide, veja quanto tempo dura uma crise de enxaqueca.

Enxaqueca com aura: quando sinais aparecem antes da dor

A enxaqueca com aura é aquela em que sintomas neurológicos passageiros aparecem antes ou junto com a dor, e eles somem por completo depois. Segundo o Guia de Cuidado do Hospital Israelita Albert Einstein, cerca de 20% dos pacientes têm aura, e ela costuma desaparecer em até 60 minutos.

A aura mais comum é a visual. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, ela aparece em cerca de 90% das pessoas que têm aura, na forma de pontos brilhantes, manchas escuras ou linhas em zigue-zague que vão crescendo aos poucos em uma parte do campo de visão. A aura pode durar de 5 a 60 minutos.

Também existem auras de outros tipos: de sensibilidade (formigamento), de fala e linguagem, motoras, de tronco encefálico e retinianas, segundo o mesmo guia do Einstein. A visual é a mais frequente e a que mais assusta.

Dois textos do blog aprofundam isso:

Uma observação honesta: sintomas como fraqueza de um lado do corpo, dificuldade para falar ou perda de visão que aparecem de repente pela primeira vez merecem avaliação médica rápida, porque podem ser sinais de outras condições, como o AVC. O Einstein explica como diferenciar uma coisa da outra, e nosso texto sobre quando ir ao pronto-socorro por causa de dor de cabeça ajuda a decidir.

Enxaqueca episódica ou crônica: uma questão de frequência

Aqui o critério não é o sintoma, e sim o calendário: a enxaqueca é episódica quando a dor de cabeça aparece em menos de 15 dias por mês, e crônica quando ela aparece em 15 dias ou mais. A Sociedade Brasileira de Cefaleia define a dor de cabeça crônica como aquela que acomete a pessoa pelo menos 15 dias por mês, há pelo menos três meses.

Na enxaqueca crônica, nem todos esses dias precisam ser de crise completa. Segundo a Medway, é preciso que pelo menos 8 desses dias tenham características de enxaqueca, ou melhorem com remédios específicos para a crise, e isso é avaliado pelo médico.

Quase ninguém começa a vida com enxaqueca crônica. A mesma sociedade explica que a enxaqueca costuma começar com crises esporádicas na infância ou na juventude, e que em algumas pessoas ela fica mais frequente com mais estresse, rotina pesada e sono insuficiente. O uso muito frequente de analgésicos também é apontado pela sociedade como uma das principais causas desse aumento. Por isso, se você usa remédio para dor de cabeça várias vezes por semana, converse com seu médico, sem mudar nada por conta própria.

Se você sente que as dores estão quase diárias, leia dor de cabeça todos os dias: por que acontece e quando investigar. E, para quem já tem diagnóstico de enxaqueca crônica, existem tratamentos preventivos que o médico pode explicar, como o Botox no protocolo PREEMPT e os anti-CGRP.

Enxaqueca vestibular: quando a tontura ganha o primeiro plano

Na enxaqueca vestibular, o protagonista é a tontura ou a vertigem, e não necessariamente a dor de cabeça. A Sociedade Brasileira de Cefaleia explica que ela acomete cerca de 1% da população, principalmente mulheres, e causa tonturas fortes que duram de 5 minutos até 3 dias, acompanhadas de sintomas parecidos com os da enxaqueca.

Um detalhe que surpreende: a tontura também pode aparecer sem dor de cabeça. A sociedade acrescenta que esse quadro costuma surgir vários anos depois do início da enxaqueca comum, e que em algumas pessoas, depois da menopausa, pode até substituir as crises de dor.

Para o diagnóstico, os critérios descritos na Headache Medicine pedem pelo menos cinco episódios de sintomas vestibulares de intensidade moderada ou grave, com duração entre 5 minutos e 72 horas, e que pelo menos metade dos episódios tenha características de enxaqueca. Por isso a enxaqueca vestibular é muitas vezes confundida com outras causas de tontura, e o diagnóstico exige uma conversa cuidadosa com um médico, que pode ser o neurologista ou o otorrinolaringologista.

As formas mais raras: hemiplégica, de tronco encefálico e retiniana

Essas formas são raras e fazem parte do grupo da enxaqueca com aura, em que o sintoma que aparece é diferente do visual clássico.

  • Enxaqueca hemiplégica: a aura inclui fraqueza motora de um lado do corpo, que passa por completo. A Secretaria de Saúde de Alagoas explica que ela é benigna, mas imita os sintomas de um AVC e pode ser confundida com ele, o que exige um olhar médico bem treinado.
  • Enxaqueca com aura de tronco encefálico: a aura envolve sintomas ligados a essa região do cérebro, como tontura intensa, zumbido ou fala arrastada. Ela aparece entre os tipos de aura listados no guia do Einstein.
  • Enxaqueca retiniana: a aura afeta apenas um olho, e não os dois campos de visão. Também é um dos tipos de aura descritos no mesmo guia, e exige avaliação para descartar outras causas de perda de visão.

Não vou entrar em detalhes de tratamento aqui, porque esses casos pedem acompanhamento individual. A regra prática é simples: se uma aura é nova, diferente do seu padrão, muito longa ou deixa sequelas, procure atendimento. E se você tem uma dessas formas já diagnosticada, o neurologista é a pessoa certa para orientar o seu plano.

Enxaqueca, cefaleia tensional, cefaleia em salvas: como não se perder

Nem toda dor de cabeça forte é enxaqueca, e olhar para o jeito da dor ajuda a diferenciar. A cefaleia tensional, por exemplo, costuma ser uma dor nos dois lados ou na frente e atrás da cabeça, de intensidade moderada, que não piora com esforço e dura de 30 minutos a 7 dias, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Já a cefaleia em salvas é uma dor intensa e sempre de um lado, que dura de 15 minutos a 3 horas, em geral no mesmo horário por vários dias seguidos, com lacrimejamento e nariz escorrendo do mesmo lado. A mesma fonte lembra que ela é mais comum em homens, ao contrário da enxaqueca, e que durante a crise a pessoa fica agitada, enquanto na enxaqueca costuma preferir se deitar.

Em outras palavras, nem sempre a dor tem um único rótulo. É possível ter enxaqueca e também episódios de dor tensional. Anotar como cada crise acontece é o que torna essa diferença visível.

Como saber que tipo de enxaqueca você tem?

Quem define o seu tipo de enxaqueca é um médico, a partir do seu relato e do seu histórico, e você pode chegar à consulta com boas informações. No Brasil, o caminho costuma começar numa UBS ou com um clínico, que pode encaminhar para um neurologista quando necessário.

Estas perguntas ajudam a organizar a conversa:

  1. Existe algo antes da dor? Luzes, manchas, formigamento, dificuldade para falar? Isso aponta para a aura.
  2. Quantos dias por mês você tem dor de cabeça? Isso diferencia o quadro episódico do crônico.
  3. O que domina a crise? Dor, tontura, enjoo, sensibilidade a luz e barulho?
  4. Quanto tempo dura cada crise? Minutos, horas ou dias?
  5. Alguém na família tem enxaqueca? A questão genética pesa, e vale ver o que dizem os estudos em a enxaqueca é hereditária?.

Se a pessoa com enxaqueca for uma criança ou adolescente, o quadro pode se apresentar de outro jeito; o guia para pais sobre enxaqueca infantil ajuda a reconhecer os sinais.

Sobre a relação com a menstruação, que não é um "tipo" à parte, mas um padrão de gatilho muito comum, você encontra mais no texto sobre enxaqueca menstrual.

Para se orientar, guarde o essencial

Você não precisa decorar todos os nomes. Guarde esta versão curta do mapa:

  • Sem aura: a forma mais comum, sem sinais antes da dor.
  • Com aura: sinais neurológicos passageiros antes ou durante a dor, geralmente visuais.
  • Episódica ou crônica: depende de os dias de dor serem menos ou mais de 15 por mês.
  • Vestibular: a tontura ou a vertigem lidera, com ou sem dor de cabeça.
  • Hemiplégica, de tronco encefálico e retiniana: formas raras de aura, que pedem acompanhamento médico.

O melhor aliado para encontrar o seu lugar no mapa é um registro simples das suas crises. Com datas, duração, intensidade e possíveis gatilhos anotados, a consulta deixa de ser um "acho que foi na semana passada" e passa a ser uma conversa com dados.

Perguntas frequentes

Qual é o tipo de enxaqueca mais comum?

A enxaqueca sem aura é a mais comum: a Sociedade Brasileira de Cefaleia indica que ela representa entre 70% e 80% dos casos. A enxaqueca com aura corresponde a cerca de 20% a 30%.

Enxaqueca crônica é a mesma coisa que enxaqueca forte?

Não. "Crônica" fala de frequência, não de intensidade: refere-se à dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, durante mais de três meses. Uma pessoa pode ter crises muito fortes poucas vezes ao mês e ainda assim ter enxaqueca episódica.

Dá para ter enxaqueca sem dor de cabeça?

Sim, em algumas formas. Na enxaqueca vestibular, a Sociedade Brasileira de Cefaleia explica que a tontura também pode aparecer sem a dor de cabeça. Se isso acontece com você, vale investigar com um médico, porque tontura tem várias causas possíveis.

Posso ter mais de um tipo de enxaqueca?

Pode. É comum alguém ter crises com aura em alguns momentos e sem aura em outros, e a enxaqueca vestibular costuma surgir anos depois da enxaqueca comum. Por isso o diagnóstico é revisto ao longo da vida, junto com o seu médico.

Preciso ir ao médico para saber meu tipo de enxaqueca?

Sim, o diagnóstico é feito por um profissional de saúde, com base na sua história. Este artigo serve para você se orientar e fazer perguntas melhores, mas não substitui uma consulta.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que convive com a enxaqueca desde os 21 anos. Saiba mais · Como escrevemos nossos artigos

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