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Mulher de pijama listrado, olhos fechados e mão na têmpora, com dor de cabeça e uma esfera luminosa ondulada ao lado
Sintomas

Enxaqueca sem aura: sintomas, duração e diferenças da enxaqueca com aura

Por Laurine Nicoletti11 min

Você sente a dor latejar de um lado da cabeça, a luz do celular incomoda, o cheiro do café do trabalho dá enjoo e tudo o que você quer é um quarto escuro. Só que, antes da dor, não apareceu nenhum brilho, nenhuma mancha na visão, nenhum formigamento. Isso é muito comum, e tem nome: enxaqueca sem aura.

É a forma mais frequente de enxaqueca, mas muita gente nunca ouviu falar dela porque "aura" acaba ficando com toda a fama. Neste artigo, você vai ver como ela se manifesta, quanto tempo costuma durar, no que ela se diferencia da enxaqueca com aura e quando vale a pena procurar ajuda. Se quiser uma visão geral do tema, a página Sintomas da enxaqueca reúne os outros artigos do blog.

Em resumo

  • A enxaqueca sem aura é a forma mais comum: segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, 70% a 80% das pessoas com enxaqueca têm esse tipo.
  • Ela aparece como uma dor de cabeça de intensidade moderada a forte, em geral de um lado, latejante, com enjoo ou sensibilidade à luz e ao som, e dura de 4 a 72 horas se não for tratada, conforme o guia de enxaqueca do Hospital Albert Einstein.
  • A diferença para a enxaqueca com aura é a ausência dos sintomas neurológicos passageiros (como luzes ou formigamento) antes ou junto com a dor; a dor em si é a mesma, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia.
  • Sinais como a "pior dor de cabeça da vida", febre ou fraqueza num lado do corpo pedem atendimento urgente, de acordo com a Ebserh.

O que é a enxaqueca sem aura?

A enxaqueca sem aura é uma crise de enxaqueca completa, com a dor e os sintomas típicos, mas sem a "aura", aquele aviso neurológico passageiro que algumas pessoas sentem. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, a pessoa tem todos os sinais da enxaqueca, com a mesma dor de cabeça, só que sem os sintomas da aura.

Ela é também a mais comum. Entre quem tem enxaqueca, cerca de 70% a 80% têm a forma sem aura e 20% a 30% têm a forma com aura, de acordo com a mesma entidade. A enxaqueca em si afeta cerca de 15% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia. Para ver mais números, tem o artigo Enxaqueca em números.

Se algum termo desta página soar estranho (cefaleia, fotofobia, pródromo), o Glossário da enxaqueca explica tudo de forma simples.

Quais são os sintomas da enxaqueca sem aura?

O sintoma principal é uma dor de cabeça forte, muitas vezes de um lado só, que pulsa, piora com esforço e vem acompanhada de enjoo ou incômodo com luz e barulho. O guia do Hospital Albert Einstein descreve esses critérios com base na classificação internacional das cefaleias.

Na prática, os sinais mais típicos são:

  • Dor de um lado da cabeça, embora ela possa ocupar os dois lados em algumas crises.
  • Dor latejante, como se a cabeça tivesse uma batida própria.
  • Intensidade moderada ou forte, que atrapalha o dia.
  • Piora com movimento: subir escada ou caminhar piora, ou você evita essas atividades por causa da dor.
  • Náusea ou vômito.
  • Sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia).

Um estudo brasileiro com 200 pessoas com enxaqueca sem aura, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, mostra como esses sinais variam. A dor era latejante em 81%, houve náusea em 91%, sensibilidade à luz e ao som em 77% e vômito em 50%. Dor no pescoço acompanhava as crises em 70,5%, o que surpreende muita gente: nem toda dor no pescoço é "tensão".

O mesmo estudo mostrou que a dor era sempre do mesmo lado em 19% das pessoas e exclusivamente nos dois lados em 9%. Ou seja, você não precisa ter dor de um lado só para ter enxaqueca. É um estudo antigo e com um grupo atendido em serviço especializado, então vale como retrato, não como regra para todo mundo.

Quanto tempo dura uma enxaqueca sem aura?

Uma crise de enxaqueca sem aura dura de 4 a 72 horas quando não é tratada ou quando o tratamento não funciona, segundo o guia do Hospital Albert Einstein. É uma faixa grande: tem crise que passa no mesmo dia e tem crise que atravessa uma noite inteira e ainda continua no dia seguinte.

Esse intervalo se refere à fase da dor. Em volta dela, muita gente sente sinais antes (como cansaço, bocejos ou vontade de comer certas coisas) e uma espécie de "ressaca" depois. Esse pacote completo está explicado em Quanto tempo dura uma crise de enxaqueca? As 4 fases explicadas.

Dica prática: anotar a hora em que a dor começou e a hora em que ela passou ajuda o médico a entender o seu padrão. Muita gente confia na memória e, depois de algumas semanas, já não lembra mais.

Enxaqueca sem aura ou com aura: quais são as diferenças?

A diferença está na aura: na enxaqueca com aura, aparecem sintomas neurológicos passageiros, e na enxaqueca sem aura, não. A Sociedade Brasileira de Cefaleia define a aura como manifestações neurológicas que surgem de forma gradual, podem começar antes ou junto com a dor e duram de 5 a 60 minutos cada.

Os sintomas de aura mais comuns são visuais: pontos escuros, pontos brilhantes ou imagens em ziguezague que crescem aos poucos no campo de visão. Segundo a mesma fonte, a aura visual ocorre em cerca de 90% das pessoas com enxaqueca com aura. Também podem aparecer formigamento, dormência e alterações da fala.

Resumindo as diferenças principais:

  • Aura: ausente na enxaqueca sem aura; presente, em geral antes ou junto com a dor, na enxaqueca com aura.
  • Frequência: a sem aura é bem mais comum (70% a 80%), e a com aura aparece em 20% a 30% dos casos, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia.
  • A dor: é praticamente a mesma nos dois tipos.

Para entender melhor o outro lado, leia Enxaqueca com aura: como entender os sinais antes da crise. Se os seus sintomas visuais são o que mais chama a atenção, também vale ver Enxaqueca ocular: o que é, como reconhecer e quando se preocupar.

Um ponto honesto: não ter aura não significa ter uma enxaqueca "mais leve". A dor e o impacto no dia a dia podem ser tão fortes quanto em quem tem aura.

Será enxaqueca ou uma dor de cabeça "comum"?

Uma dor de cabeça comum costuma ser mais leve e não vem acompanhada de enjoo nem de forte incômodo com luz e som, enquanto a enxaqueca sem aura combina dor intensa com esses sintomas. A Sociedade Brasileira de Cefaleia reforça, em Enxaqueca não é só uma dor de cabeça, que a enxaqueca é uma doença neurológica e que a dor costuma envolver metade da cabeça, piorar com atividade física e vir com náusea, vômito e desconforto com luz e barulho.

Algumas perguntas ajudam a refletir, sem substituir uma consulta:

  1. A dor atrapalha você a trabalhar, estudar ou cuidar da casa?
  2. Você precisa se deitar num lugar escuro e silencioso?
  3. Há enjoo, ou o cheiro de comida incomoda?
  4. Isso se repete, em crises separadas por períodos sem dor?

Se a maioria das respostas é sim, vale conversar com um médico sobre enxaqueca. Para comparar com os outros tipos de dor, veja Diferença entre enxaqueca e dor de cabeça: como saber qual você tem. E se a dor aparece quase todo dia, o artigo Dor de cabeça todos os dias ajuda a entender quando investigar.

Como é feito o diagnóstico da enxaqueca sem aura?

O diagnóstico é clínico: o médico faz o diagnóstico conversando com você sobre as suas crises, sem depender de um exame que "prove" a enxaqueca. O guia do Hospital Albert Einstein se baseia nos critérios da classificação internacional das cefaleias (ICHD-3).

Para a enxaqueca sem aura, esses critérios pedem, resumidamente:

  • pelo menos 5 crises com as características abaixo;
  • crises de 4 a 72 horas (sem tratamento ou com tratamento que não funcionou);
  • pelo menos 2 destas características da dor: de um lado só, latejante, intensidade moderada ou forte, ou piora com esforço físico rotineiro (ou faz você evitar esse esforço);
  • durante a dor, náusea e/ou vômito, ou sensibilidade à luz e ao som.

Esses critérios são uma referência para os profissionais, não um teste para você fazer sozinha em casa. Quem decide é o médico, que também avalia se há outra causa possível. No SUS, o caminho costuma começar pela unidade básica de saúde, que pode encaminhar para um neurologista quando necessário.

Chegar à consulta com um registro das crises faz diferença. Datas, duração, intensidade, o que você tomou e o que aconteceu nos dias anteriores ajudam a mostrar o padrão. Para isso, o guia Como identificar os gatilhos da enxaqueca traz um passo a passo.

Quando procurar o médico e quando buscar urgência?

Procure um médico se as crises se repetirem ou atrapalharem a sua vida, e busque um pronto-atendimento se a dor vier com sinais de alarme, como a pior dor da vida, febre ou fraqueza. De acordo com a Ebserh, são sinais de alarme:

  • dor de cabeça nova em quem tem mais de 50 anos;
  • a pior dor de cabeça da vida;
  • dor acompanhada de fraqueza, dormência, alteração na visão, dificuldade para falar ou perda de coordenação;
  • dor que acorda você durante o sono;
  • mudança no padrão habitual das crises;
  • dor desencadeada por esforço físico;
  • dor associada a febre, ou em pessoa com imunidade baixa.

Se algum desses sinais aparecer de repente, não espere passar: procure um pronto-atendimento ou ligue para o SAMU (192). A maioria das dores de cabeça não é grave, mas esses sinais merecem avaliação rápida.

A mesma fonte alerta que o uso frequente de analgésicos por conta própria pode piorar o quadro e levar a uma dor de cabeça crônica por abuso de medicamento. Por isso, converse com o seu médico sobre o que tomar, em que situações e com que frequência. Existem tratamentos específicos, como os triptanos e os anti-CGRP, mas a escolha é sempre uma decisão médica.

O que você pode fazer já

Enquanto você não tem consulta, o mais útil é observar suas crises e cuidar do que está ao seu alcance, sem prometer que isso vai fazer a enxaqueca desaparecer. A Ebserh cita, entre os hábitos recomendados, alimentação equilibrada, boa higiene do sono, manejo do estresse, evitar tabaco e álcool e não abusar de cafeína e analgésicos.

Alguns passos concretos:

  1. Anote suas crises: data, horário de início e fim, intensidade, sintomas e o que aconteceu antes.
  2. Observe padrões de sono, estresse, alimentação e menstruação, que são gatilhos comuns para muita gente. Veja Estresse e enxaqueca e Enxaqueca menstrual.
  3. Leve essas anotações ao médico e pergunte sobre as opções de tratamento para o seu caso.
  4. Conheça o que ajuda sem remédio, sabendo que algumas medidas têm mais prova do que outras: Como aliviar enxaqueca sem remédio.

Conclusão

A enxaqueca sem aura é a forma mais comum de enxaqueca: dor forte, em geral de um lado, com enjoo e sensibilidade à luz e ao som, durando de 4 a 72 horas quando não tratada. Ela não é "menos enxaqueca" por não ter aura, e saber reconhecê-la ajuda você a falar com o médico com mais clareza.

O primeiro passo é simples: registrar o que acontece em cada crise. Com o tempo, o padrão aparece, e é ele que ajuda a decidir, junto com o seu médico, o que fazer.

Perguntas frequentes

Enxaqueca sem aura é a mesma coisa que enxaqueca comum?

Sim, "enxaqueca comum" é o nome antigo que muita gente ainda usa para a enxaqueca sem aura. É o tipo mais frequente, presente em 70% a 80% das pessoas com enxaqueca, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Enxaqueca sem aura é mais leve do que a com aura?

Não necessariamente. A Sociedade Brasileira de Cefaleia explica que, na enxaqueca sem aura, a pessoa tem a mesma dor de cabeça e todos os outros sinais, apenas sem os sintomas da aura. A intensidade varia de pessoa para pessoa e de crise para crise.

Enxaqueca sem aura tem cura?

A enxaqueca não tem cura, mas pode ser controlada, como lembra a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. O acompanhamento com um médico ajuda a definir estratégias para ter menos crises e mais qualidade de vida.

Enxaqueca sem aura pode ser perigosa?

A enxaqueca em si é uma doença que atrapalha muito a rotina, mas o que preocupa são os sinais de alarme: pior dor da vida, febre, fraqueza, dificuldade para falar ou mudança súbita no padrão, segundo a Ebserh. Nesses casos, procure atendimento sem demora.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que convive com a enxaqueca desde os 21 anos. Saiba mais · Como escrevemos nossos artigos

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