
Enxaqueca menstrual: por que a menstruação desencadeia crises e o que fazer
Todo mês é a mesma história: a menstruação está chegando, e junto com ela vem aquela dor de cabeça que pulsa de um lado, enjoa e faz a luz do celular incomodar. Você já se perguntou se é coincidência, e provavelmente não é. Isso tem nome: enxaqueca menstrual.
Neste artigo, você vai entender o que é esse tipo de crise, por que os hormônios têm a ver com ela, como saber se é o seu caso e quais caminhos o médico pode discutir com você. Ele faz parte do nosso guia Sintomas da enxaqueca, e aqui a ideia é informar, sem prometer cura e sem substituir uma consulta.
Em resumo
- A enxaqueca menstrual é a mesma enxaqueca de sempre, mas com crises que aparecem de 2 dias antes até 3 dias depois do início da menstruação, segundo a Rede D'Or São Luiz.
- O principal suspeito é a queda do estrogênio pouco antes da menstruação, que deixa o corpo mais sensível à dor.
- Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, nessa fase a dor tende a ser mais intensa, mais longa e a responder menos ao tratamento da crise.
- Um diário das crises por pelo menos três ciclos ajuda a confirmar o padrão, e o tratamento deve sempre ser decidido com o médico.
O que é a enxaqueca menstrual?
É uma enxaqueca que aparece em torno da menstruação. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, a dor é forte, pulsátil e prolongada, em geral de um lado da cabeça, e costuma vir com náusea, vômito e sensibilidade à luz e ao barulho. A janela típica vai de 2 dias antes até 3 dias depois do início do fluxo, segundo a Rede D'Or São Luiz.
Ela não é uma doença à parte, e sim a mesma enxaqueca que você já conhece, com um padrão de horário bem marcado. Existem dois formatos, de acordo com a SBCe:
- Enxaqueca menstrual pura: as crises aparecem só nos dias ao redor da menstruação.
- Enxaqueca relacionada à menstruação: as crises aparecem nesse período, mas também em outros momentos do ciclo. É a forma mais comum.
Se você tem crises em outras fases do mês, isso não quer dizer que seu caso não é "hormonal". Quer dizer que há mais de um gatilho em jogo. Para conhecer os outros, vale ler o guia Gatilhos da enxaqueca.
Por que a menstruação pode desencadear uma crise?
O principal suspeito é a queda do estrogênio que acontece pouco antes da menstruação. De acordo com a Rede D'Or São Luiz, essa diminuição provoca alterações nos vasos do cérebro e deixa o corpo mais sensível à dor. O estrogênio também interfere em substâncias que regulam a dor, como a serotonina.
Não é o nível do hormônio em si que parece pesar mais, e sim a variação. Quando o estrogênio cai de uma vez, o cérebro de quem tem predisposição à enxaqueca tende a reagir.
O que ainda não se sabe por completo é por que algumas pessoas reagem tanto a essa queda e outras quase nada. Genética, sono, estresse e outros gatilhos provavelmente entram na conta. Sobre o peso da herança familiar, você pode ver A enxaqueca é hereditária?.
Como é a enxaqueca menstrual na prática?
Os sintomas são os mesmos de uma enxaqueca comum. Mas há uma diferença importante: a SBCe informa que mais da metade das mulheres com enxaqueca tem crises perto da menstruação, e que nessa fase a dor tende a ser mais intensa, mais longa e responder menos ao tratamento da crise.
Se isso descreve o seu mês, você não está exagerando nem "fraca". É um padrão descrito pelos especialistas.
Os sinais mais citados são:
- dor pulsátil, muitas vezes em um lado da cabeça;
- náusea, vômito e tontura;
- incômodo com luz e som;
- cansaço forte e visão embaçada em alguns casos.
A Rede D'Or São Luiz lista esses sintomas entre os mais frequentes.
Como saber se suas enxaquecas são menstruais?
Só olhando para trás no calendário é difícil ter certeza, porque a memória falha, principalmente quando a dor e a TPM se misturam. Por isso, os médicos costumam pedir um diário das crises por pelo menos três ciclos seguidos, segundo a Rede D'Or São Luiz. Assim dá para ver se as crises caem de forma repetida naquela janela de 2 dias antes a 3 dias depois do início do fluxo.
O que anotar:
- o primeiro dia de cada menstruação;
- o dia e a hora de cada crise, e quanto tempo ela durou;
- a intensidade da dor, de 0 a 10;
- o que você tomou e se ajudou;
- sono, estresse e outros gatilhos do dia.
Esse registro também mostra se você tem aura (alterações visuais ou sensitivas antes da dor), uma informação que muda decisões importantes, como a escolha de anticoncepcional.
O que dá para fazer quando a crise chega?
O tratamento da crise é decidido com o médico, e eu não vou indicar o que tomar. Do ponto de vista informativo, a Rede D'Or São Luiz explica que o médico pode recomendar medicamentos para aliviar a dor logo no começo, como anti-inflamatórios e triptanos (remédios específicos para crise de enxaqueca).
Alguns pontos práticos ajudam, sem substituir a orientação médica:
- Conversar com o médico antes do próximo ciclo, para já ter um plano combinado.
- Perceber os primeiros sinais, porque tratar cedo costuma fazer diferença, como a própria SBCe lembra ao falar de tratamento no início da dor.
- Cuidar do básico: sono regular, boa alimentação, hidratação e controle do estresse, que a Rede D'Or São Luiz cita como complemento ao tratamento.
Atenção também ao uso frequente de analgésicos. A Agência Einstein alerta que o uso excessivo de medicamentos para dor de cabeça pode causar efeito rebote, ou seja, mais dor. Se você toma remédio com muita frequência, fale com seu médico.
Para ver outras formas de aliviar a crise, incluindo as que não envolvem remédio, o pilar Sintomas da enxaqueca reúne os assuntos relacionados.
O que é a prevenção curta ao redor da menstruação?
Quando as crises vêm quase sempre na mesma época do mês, existe uma estratégia chamada profilaxia perimenstrual, ou prevenção curta. Em vez de usar um remédio preventivo o mês inteiro, o médico pode indicar um tratamento apenas nos dias de maior risco.
Funciona porque a menstruação é previsível, ao contrário de muitos gatilhos. Se o ciclo é regular, dá para se antecipar. Quem decide se essa estratégia faz sentido, qual remédio usar e por quanto tempo é o médico, depois de avaliar o seu histórico.
Aqui o diário vira um grande aliado: um registro de três ciclos mostra se o seu padrão realmente é regular e se a prevenção curta é uma opção.
Também há estudos com suplementos de estrogênio ao redor da menstruação para evitar a queda hormonal, mas isso é um tratamento médico, não algo para fazer por conta própria. O magnésio é citado pela Rede D'Or São Luiz como algo que o médico pode indicar em alguns casos, nos dias que antecedem o ciclo. Ele não é uma solução garantida, e a decisão deve ser dele.
Enxaqueca menstrual e anticoncepcional: o que saber?
Esse é um ponto em que a conversa com o médico é indispensável, porque a resposta depende de você ter ou não aura.
Por um lado, ajustes no esquema contraceptivo podem reduzir as oscilações de estrogênio e, em alguns casos, as crises, como descreve a Rede D'Or São Luiz.
Por outro lado, a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) orienta que, em mulheres com enxaqueca com aura, há contraindicação de métodos hormonais combinados, qualquer que seja a via. O motivo é o risco de AVC, que é maior nesse grupo.
Em resumo:
- Não comece, não pare nem troque de anticoncepcional por causa da enxaqueca sem conversar com seu médico.
- Conte se você tem aura, mesmo que seja só um "borrão" na visão antes da dor.
- Se você já usa pílula e tem enxaqueca, vale perguntar se o método é adequado para o seu caso.
E na gravidez e na menopausa?
Na gravidez, muitas mulheres percebem melhora nas crises, principalmente no segundo e no terceiro trimestres, quando os níveis de estrogênio se estabilizam, segundo o Tua Saúde. Isso costuma valer mais para quem tinha enxaqueca ligada à menstruação, mas não é regra, e o primeiro trimestre pode ser mais difícil. Se você está grávida ou pensando em engravidar, o acompanhamento com obstetra e neurologista é importante, inclusive para decidir o que é seguro tomar.
Na menopausa, a Agência Einstein explica que, para cerca de dois terços das mulheres, a frequência e a intensidade das crises diminuem, mas nem todas sentem esse alívio. A mesma matéria lembra que, em quem tem enxaqueca com aura, a reposição de estrogênio pode aumentar o risco cardiovascular e de AVC, o que reforça a necessidade de avaliação individual.
Quando procurar um especialista?
Vale marcar uma consulta quando as crises atrapalham seus estudos, seu trabalho ou sua rotina, quando o remédio que você usa parou de funcionar, ou quando você usa analgésico com frequência. No Brasil, você pode começar por uma unidade básica de saúde do SUS, que faz o primeiro atendimento e pode encaminhar para neurologia, ou por um neurologista, ginecologista ou clínico da rede particular ou de convênio.
Procure atendimento de urgência se a dor de cabeça for diferente de tudo o que você já sentiu, começar de forma súbita e muito forte, ou vier com febre, rigidez no pescoço, confusão, fraqueza ou dificuldade de falar. Não é o padrão da enxaqueca menstrual, e precisa ser avaliado rápido.
Como levar uma consulta útil, em uma página
Chegar ao consultório com um resumo ajuda o médico a decidir melhor, e poupa o tempo da consulta. Leve:
- o diário de pelo menos três ciclos, com datas da menstruação e das crises;
- a duração e a intensidade médias das dores;
- os remédios que você já usou e o resultado de cada um;
- se você tem aura e se usa anticoncepcional (qual);
- o que mais atrapalha: faltas, dias perdidos, sintomas que mais incomodam.
Com o Mellow, esse histórico fica pronto no celular, com calendário, duração, intensidade e tendências, e dá para gerar um relatório para mostrar ao médico.
Em resumo
A enxaqueca menstrual é real, comum e tem uma explicação plausível: a queda do estrogênio antes da menstruação, somada à sensibilidade de cada pessoa. Ela costuma ser mais forte e mais difícil de tratar do que as crises de outras fases, mas existem caminhos que o médico pode avaliar, da prevenção curta ao ajuste do método contraceptivo.
O primeiro passo é simples e está ao seu alcance: registrar suas crises e seu ciclo por alguns meses. Com esse padrão em mãos, a conversa com o médico fica muito mais concreta.
Perguntas frequentes
O que é a enxaqueca menstrual?
É uma enxaqueca que aparece em torno da menstruação, em geral de 2 dias antes até 3 dias depois do início do fluxo, segundo a Rede D'Or São Luiz. Não é uma doença à parte, e sim a mesma enxaqueca com um padrão de horário bem marcado.
Por que a menstruação pode desencadear uma crise de enxaqueca?
O principal suspeito é a queda do estrogênio que acontece pouco antes da menstruação, que altera os vasos do cérebro e deixa o corpo mais sensível à dor, segundo a Rede D'Or São Luiz. O que parece pesar mais é a variação do hormônio, e não o nível em si.
Como saber se minhas enxaquecas são menstruais?
Os médicos costumam pedir um diário das crises por pelo menos três ciclos seguidos. Assim dá para ver se as dores caem de forma repetida na janela de 2 dias antes a 3 dias depois do início da menstruação.
Posso mudar de anticoncepcional por causa da enxaqueca?
A decisão deve ser sempre conversada com o médico. A Febrasgo orienta que, em mulheres com enxaqueca com aura, há contraindicação de métodos hormonais combinados, por causa do maior risco de AVC.
Quando procurar um especialista?
Quando as crises atrapalham os estudos, o trabalho ou a rotina, quando o remédio parou de funcionar ou quando você usa analgésico com frequência. Dor muito diferente do habitual, súbita e intensa, ou com febre, rigidez no pescoço, confusão ou fraqueza, exige atendimento de urgência.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Cefaléia
- Enxaqueca menstrual: o que é, sintomas, causas e como aliviar
- Orientação de anticoncepção para pacientes com cefaléias
- Por que a menopausa nem sempre significa o fim das crises de enxaqueca - Agência Einstein
- Enxaqueca na gravidez: sintomas, causas e o que fazer - Tua Saúde
Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que convive com a enxaqueca desde os 21 anos. Saiba mais · Como escrevemos nossos artigos
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