← Voltar ao blog
Mulher pensativa a segurar um comprimido, diante de um copo de água e de diferentes medicamentos para a enxaqueca
Tratamentos

Medicamentos para a enxaqueca: analgésicos, anti-inflamatórios e triptanos, como te orientares

Por Laurine Nicoletti10 min

Estás na farmácia, com a cabeça a latejar, e o balcão parece um muro de caixas. Paracetamol, ibuprofeno, outros nomes que nunca percebeste bem, e ainda aquele medicamento que o médico te receitou "para a enxaqueca". Qual é qual, e para que serve cada um?

Os medicamentos para a enxaqueca na hora da crise dividem-se em poucas famílias: analgésicos simples, anti-inflamatórios, triptanos e medicamentos para as náuseas. Neste artigo explicamos, sem doses e sem jargão, o que cada família faz e porque a escolha final pertence ao teu médico ou ao teu farmacêutico. Se queres uma visão mais ampla, vê também a nossa página sobre os tratamentos da enxaqueca.

Em resumo

  • Para tratar uma crise, o SNS24 refere analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides, triptanos, medicamentos para as náuseas e vómitos e, em situações específicas, alguns antagonistas do CGRP (os gepantes).
  • Os analgésicos simples e os anti-inflamatórios costumam ajudar nas crises leves a moderadas, enquanto os triptanos são medicamentos específicos da enxaqueca, que atuam também em crises mais fortes, segundo a CUF.
  • A escolha depende das características da crise, de outras doenças, de outros medicamentos que tomas e de possíveis contraindicações, como explica o SNS24.
  • Usar medicação de crise com demasiada frequência pode agravar o problema: a CUF alerta que o abuso de fármacos pode transformar uma enxaqueca numa cefaleia crónica diária.

Porque existem vários medicamentos para a mesma crise de enxaqueca?

Existem várias famílias porque nem todas as crises são iguais, nem todas as pessoas reagem da mesma maneira. Uma crise pode ser leve numa semana e muito forte na seguinte, e vir acompanhada de náuseas, ou não.

O SNS24 explica que o objetivo do tratamento da crise é aliviar a dor e os restantes sintomas e permitir que a pessoa retome as suas atividades. A escolha do medicamento depende das características da crise, de outras doenças ou medicamentos que a pessoa utilize e de possíveis contraindicações.

Isto quer dizer que não existe um "melhor medicamento" igual para todas. O que funciona bem para uma amiga tua pode não ser adequado para ti, e é por isso que copiar a receita de outra pessoa não é boa ideia.

Analgésicos simples: o que são e para que servem

Os analgésicos simples, como o paracetamol, servem para reduzir a dor e são muitas vezes o primeiro passo nas crises mais leves. A CUF refere que analgésicos simples e anti-inflamatórios costumam ser eficazes nas crises leves a moderadas.

Outra informação útil da CUF é que o paracetamol pode aliviar crises leves a moderadas, sobretudo quando é tomado logo no início da dor (podes ler mais na página Aprenda a aliviar os sintomas da enxaqueca). Reconhecer cedo os primeiros sinais da crise ajuda, e um diário de enxaqueca pode ensinar-te a identificá-los.

Há um limite: o paracetamol atua sobre a dor, mas não tem efeito anti-inflamatório significativo, de acordo com a CUF na página Paracetamol vs. ibuprofeno. Quanto à quantidade e ao intervalo entre tomas, essa é uma conversa para ter com o médico ou o farmacêutico, e não algo para decidir pela caixa ou por palpite.

Anti-inflamatórios: um primeiro passo frequente

Os anti-inflamatórios não esteroides (os "AINEs", como o ibuprofeno) aliviam a dor e reduzem a inflamação, e são outra opção frequente para as crises leves a moderadas. O SNS24 inclui-os na lista de medicamentos disponíveis para tratar a crise.

Segundo a CUF, o ibuprofeno atua inibindo a produção de prostaglandinas (substâncias ligadas à dor e à inflamação) e tem, normalmente, um início de ação mais rápido do que o paracetamol. A mesma página lembra que pode ser agressivo para o sistema digestivo e que deve ser usado com precaução em pessoas com problemas renais, úlceras gástricas, hipertensão ou doenças cardíacas.

Por isso, um medicamento que se compra sem receita não é um medicamento sem regras. Se tens o estômago sensível, tensão alta ou outras doenças, pergunta ao farmacêutico antes de começares a usar um anti-inflamatório com regularidade.

Triptanos: os medicamentos feitos para a enxaqueca

Os triptanos são medicamentos específicos para a enxaqueca, e a CUF descreve-os como mais eficazes do que os analgésicos e anti-inflamatórios, atuando mesmo nas crises mais severas. Ao contrário do paracetamol ou do ibuprofeno, que servem para muitos tipos de dor, foram desenhados para a forma como a enxaqueca funciona.

Em Portugal, os triptanos são medicamentos que exigem receita médica. Isto significa que precisas de uma consulta para chegar a eles, e que o médico avalia contigo a tua história, as doenças que tens e os outros medicamentos que tomas, tal como o SNS24 refere quando fala das contraindicações.

Se queres perceber melhor o que são e como funcionam, temos um artigo dedicado: Triptanos para a enxaqueca: o que são e como funcionam.

E quando as náuseas complicam tudo?

Quando as náuseas e os vómitos fazem parte da crise, existem medicamentos próprios para os tratar, e o SNS24 inclui-os entre as opções de tratamento da crise. Podem ser úteis em si mesmos e porque, com o estômago em baixo, é difícil engolir qualquer comprimido.

Se isto te acontece com frequência, vale a pena falar do assunto na consulta, em vez de o aceitares como "parte do pacote". O médico pode avaliar contigo se faz sentido ter um medicamento para as náuseas na tua estratégia. Explicamos melhor esta ligação entre cabeça e estômago em Enxaqueca e náuseas: porque o estômago também entra na crise.

Há outras opções além dos triptanos?

Sim, mas são situações específicas, decididas pelo médico. O SNS24 menciona que alguns medicamentos da classe dos antagonistas do CGRP, por exemplo os gepantes, podem ser usados no tratamento da crise "em situações específicas".

O CGRP é uma substância que tem um papel na enxaqueca, e esta classe de medicamentos atua sobre ela. Não vamos entrar em pormenores sobre quem pode usar o quê: essa é uma decisão clínica, que depende de cada caso. Se queres saber mais sobre esta família, mas no contexto da prevenção, lê Anti-CGRP e enxaqueca: o tratamento preventivo explicado.

Quantas vezes é demais? O risco da cefaleia por uso excessivo de medicação

Tomar medicamentos de crise com demasiada frequência pode piorar as dores de cabeça em vez de as melhorar. A CUF refere que, se a dor de cabeça ocorrer todos os dias, provavelmente existe um uso excessivo de analgésicos ou de outros medicamentos, e que esse abuso pode converter uma enxaqueca numa cefaleia crónica diária.

Esta situação chama-se cefaleia por uso excessivo de medicação, e o mais importante é saber que ela existe e que tem solução, com acompanhamento médico. Não é um erro teu: acontece muitas vezes a quem tenta, com toda a razão, aliviar uma dor que não dá tréguas.

Alguns sinais para falares com o médico:

  • precisas de medicação para a dor de cabeça em muitos dias seguidos;
  • sentes que a dor "volta" sempre que o efeito passa;
  • a frequência das tuas dores de cabeça tem vindo a aumentar.

Se te identificas, lê também Dor de cabeça todos os dias: porquê e quando falar com o médico. Não pares nem alteres nada por tua conta: o plano ajusta-se com o teu médico.

Medicamentos de crise e tratamento de fundo: qual é a diferença?

Os medicamentos de crise tratam a dor quando ela já começou, enquanto o tratamento preventivo (ou "de fundo") tem como objetivo reduzir a frequência ou a gravidade das crises ao longo do tempo. São duas estratégias diferentes, e muitas pessoas precisam só da primeira.

A CUF indica que, quando as enxaquecas ocorrem quatro dias ou mais por mês, o médico pode prescrever medicação preventiva. Isto não significa que tenhas de a tomar, apenas que é uma conversa que vale a pena ter.

Entre as opções de prevenção estão os anti-CGRP e o Botox, que explicamos em Anti-CGRP e enxaqueca e em Botox para enxaqueca crónica. E há medidas que não envolvem comprimidos e que podem complementar o resto: veja-se Como aliviar uma enxaqueca sem medicamentos, onde separamos o que ajuda mesmo do que é só mito.

Como preparar a conversa com o médico ou o farmacêutico

Chegar à consulta com informação concreta torna a conversa muito mais útil. Em vez de dizeres "tenho muitas dores de cabeça", consegues mostrar um retrato claro do que se passa contigo.

Podes levar anotado:

  • quantas crises tens por mês e quanto tempo dura cada uma;
  • a intensidade da dor e se vem com náuseas, aura ou sensibilidade à luz;
  • que medicamentos já usaste, quando os tomaste (no início ou já com a dor forte) e o que sentiste;
  • em quantos dias por mês precisas de tomar algo para a dor;
  • outras doenças e outros medicamentos que tomas, incluindo os que se compram sem receita.

Se não sabes a quem recorrer, o artigo Enxaqueca: que médico consultar e como preparar a tua consulta pode ajudar. O farmacêutico também é um bom primeiro interlocutor para dúvidas sobre medicamentos sem receita e possíveis interações.

Conclusão: não tens de decidir tudo sozinha

Os medicamentos para a enxaqueca não são todos iguais, e perceber as famílias (analgésicos, anti-inflamatórios, triptanos, medicamentos para as náuseas) ajuda-te a fazer perguntas melhores. A parte que não podes fazer sozinha é escolher, ajustar ou parar um tratamento: isso é com o teu médico ou farmacêutico, que conhecem a tua história.

No dia a dia, o que mais te pode ajudar é observar as tuas crises com calma: quando começam, o que tomaste e como correu. É com esses dados, e não com a intuição, que a conversa na consulta fica realmente útil.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor medicamento para a enxaqueca?

Não há um melhor medicamento para todas as pessoas. O SNS24 explica que a escolha depende das características da crise, de outras doenças ou medicamentos que a pessoa use e de possíveis contraindicações. O médico é quem pode ajudar-te a encontrar a opção certa para ti.

Os triptanos são mais fortes do que o paracetamol ou o ibuprofeno?

São diferentes: os triptanos são medicamentos específicos para a enxaqueca e, segundo a CUF, atuam mesmo nas crises mais severas, ao passo que analgésicos e anti-inflamatórios só costumam chegar para crises leves a moderadas. Em Portugal precisas de receita médica para os obter.

Posso tomar medicação para a enxaqueca todos os dias?

Não é o ideal, e convém falar com o médico se sentes necessidade disso. A CUF alerta que o uso excessivo de analgésicos ou de outros medicamentos pode transformar uma enxaqueca numa cefaleia crónica diária. Se precisas de tratar a dor com muita frequência, pode haver outras estratégias, como a prevenção.

Os anti-inflamatórios são seguros para toda a gente?

Não. A CUF refere que o ibuprofeno pode ser agressivo para o sistema digestivo e que exige precaução em quem tem problemas renais, úlceras gástricas, hipertensão ou doenças cardíacas. Se tens alguma destas situações, fala com o farmacêutico ou com o médico antes de o usares.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que vive com enxaqueca desde os 21 anos. Saber mais · Como escrevemos os nossos artigos

Artigos relacionados

Todos os artigos «Tratamentos»

Descarrega a Mellow

Gratuita para descarregar. Regista a tua primeira crise em poucos segundos.

4,8 em 62 classificações
Descarregar na App StoreObter no Google Play