← Voltar ao blog
Homem de olhos fechados e mão na têmpora ao lado de um aparelho de ressonância magnética e de um cérebro
Diagnóstico

Ressonância magnética e enxaqueca: quando o exame de imagem é necessário?

Por Laurine Nicoletti11 min

Você tem crises de enxaqueca há anos e, na consulta, o médico não pediu nenhum exame. Ou, ao contrário, pediu uma ressonância magnética e você saiu do consultório com a cabeça cheia de perguntas. Em qualquer um dos casos, é normal se perguntar se está faltando alguma coisa.

A resposta curta é tranquilizadora: na maioria das vezes, a enxaqueca é reconhecida pela conversa e pelo exame neurológico, e não por uma imagem. A ressonância magnética para enxaqueca é uma exceção, reservada a situações específicas. Neste texto, que faz parte do nosso guia sobre o diagnóstico da enxaqueca, você vai entender quando o médico pede ressonância ou tomografia, por que um resultado normal é uma boa notícia e como cada exame acontece.

Em resumo

  • Segundo protocolos de encaminhamento do SUS, como o do Rio Grande do Sul, as cefaleias primárias (como a enxaqueca) são diagnosticadas pela história clínica e pelo exame neurológico, sem necessidade de exames de imagem.
  • O Hospital Israelita Albert Einstein indica ressonância de crânio quando há sinais de alarme, como febre, mudança no padrão da dor ou dor depois de um trauma na cabeça.
  • Um exame de imagem normal significa que não foi encontrada outra causa para a dor, o que combina com o diagnóstico de enxaqueca.
  • A ressonância não usa radiação e dura em média de 20 a 40 minutos, enquanto a tomografia usa raios X e é mais rápida, segundo o Einstein e hospitais universitários da rede Ebserh.

A enxaqueca é diagnosticada com ressonância magnética?

Não: não existe exame de imagem que "mostre" a enxaqueca, e o diagnóstico é clínico. O protocolo de encaminhamento para neurologia do Rio Grande do Sul descreve que as cefaleias primárias são diagnosticadas pela anamnese (a conversa sobre seus sintomas) e por um exame físico e neurológico normais, sem necessidade de investigação com exames.

Na prática, o médico quer saber como é a dor, de que lado ela aparece, quanto tempo dura, o que vem junto (náusea, sensibilidade à luz e ao barulho) e com que frequência acontece. A Sociedade Brasileira de Cefaleia também destaca a importância da avaliação médica para excluir outras causas de dor de cabeça antes de qualquer tratamento.

É por isso que o seu relato conta tanto. Se quiser entender melhor como o médico distingue os tipos de dor, veja a diferença entre enxaqueca e dor de cabeça.

Por que meu médico não pediu uma ressonância?

Provavelmente porque a sua história e o seu exame neurológico foram típicos de enxaqueca e não deram sinais de que outra coisa estivesse acontecendo. Não pedir imagem, nesse caso, não é descuido: é o que as orientações recomendam.

Pedir exames "só por garantia" também tem um custo. A tomografia usa radiação, a ressonância ocupa um equipamento disputado (especialmente no SUS) e qualquer exame pode gerar ansiedade e novas idas ao consultório. Por isso, o médico reserva a imagem para quando ela pode realmente mudar a conduta.

Se você ficou com dúvida, vale perguntar com calma: "Por que o senhor(a) acha que não preciso de exame de imagem?" Uma boa explicação costuma tranquilizar mais do que o próprio exame.

Em quais casos o médico pede ressonância ou tomografia?

O médico pede imagem quando aparece algum sinal de alarme, ou seja, uma característica que foge do padrão da enxaqueca e pode indicar outra causa. O Guia do Episódio de Cuidado Enxaqueca do Einstein indica ressonância de crânio com contraste na presença desses sinais.

Entre os sinais citados nesse guia e no protocolo nacional da Sociedade Brasileira de Cefaleia para unidades de urgência, estão:

  • dor de cabeça acompanhada de sinais no corpo todo, como febre, manchas na pele ou perda de peso sem explicação;
  • mudança no padrão da dor (uma dor nova, diferente das suas crises de sempre);
  • déficit neurológico, como fraqueza, perda de força ou alteração na fala;
  • início súbito, com a dor atingindo o máximo em segundos;
  • primeira dor de cabeça importante depois dos 50 anos;
  • dor desencadeada por esforço físico;
  • dor depois de um trauma na cabeça;
  • gravidez ou imunossupressão (defesas baixas) associadas à dor nova.

Isso não quer dizer que cada um desses sinais signifique algo grave. Quer dizer que eles merecem uma investigação para descartar outras causas. Se a dor for repentina e fortíssima, ou vier com confusão, convulsão ou rigidez no pescoço, veja quando ir ao pronto-socorro.

E se a aura durar muito?

A aura típica da enxaqueca melhora por completo em até uma hora. O Einstein, em um texto sobre enxaqueca e AVC, explica que uma aura que dura mais de uma hora é um sinal de alerta e pode levar o médico a pedir uma ressonância para confirmar ou descartar um AVC.

Se você quer entender como a aura costuma se comportar, leia enxaqueca com aura: como entender os sinais antes da crise. Para o caso de alterações na visão, o texto sobre enxaqueca ocular ajuda a saber o que observar.

Existe outra situação em que a imagem entra em cena?

Sim. Os protocolos de encaminhamento do SUS, como o do Rio Grande do Sul, indicam encaminhamento ao neurologista quando a enxaqueca não responde ao tratamento preventivo feito na atenção primária. Nesse contexto, o resultado de uma ressonância ou tomografia, quando já existe, deve acompanhar o encaminhamento.

Ou seja, a imagem pode entrar no caminho de quem tem crises difíceis de controlar, a critério do médico. Mesmo aí, o objetivo é conferir se não há outra explicação, e não "ver" a enxaqueca.

Por que um exame normal é uma boa notícia

Um exame de imagem normal é uma boa notícia porque indica que não foi encontrada outra causa para a sua dor, o que combina com o diagnóstico de enxaqueca. Não é sinal de que o médico "não achou nada" ou de que a sua dor não é real.

A enxaqueca é uma condição neurológica real e muitas vezes incapacitante, mesmo quando a ressonância de rotina aparece sem alterações. Para entender o que acontece no cérebro durante uma crise, veja as causas da enxaqueca.

Se a sua preocupação é com o que a enxaqueca pode significar a longo prazo, o texto enxaqueca é perigosa? reúne o que dizem os estudos, sem alarmismo.

Ressonância ou tomografia: qual é a diferença?

A diferença principal é a tecnologia: a tomografia usa raios X, e a ressonância usa um campo magnético, sem radiação ionizante. O Einstein explica que a tomografia funciona com o mesmo princípio do raio X, só que mais sofisticado, e que a ressonância é "de outra família", pois obtém imagens sem radiação ionizante. As principais restrições da ressonância dizem respeito ao campo magnético do aparelho.

Em termos práticos, a escolha depende do que o médico quer investigar:

  • Tomografia: costuma ser o primeiro exame em situações de urgência, quando o objetivo é descartar rapidamente um sangramento, por exemplo. O guia de cefaleia do Einstein a descreve como exame inicial, exceto quando há contraindicação, como na gravidez.
  • Ressonância: é indicada quando o médico precisa de mais detalhe do tecido cerebral ou dos vasos. O mesmo guia cita a ressonância de crânio para esses casos.

Para crianças e adolescentes, o guia do Einstein sobre cefaleia na infância aponta a ressonância de crânio como exame de escolha, com a tomografia como alternativa quando a ressonância não está disponível. Quem decide é sempre o médico, de acordo com a situação.

Como é uma ressonância magnética da cabeça?

Na ressonância, você fica deitada e imóvel dentro de um aparelho em forma de túnel, aberto nas duas pontas, por cerca de 20 a 40 minutos. Segundo o procedimento do HC-UFTM (Ebserh), o aparelho faz muito barulho, por isso é fornecido um protetor auricular, e você fica com uma campainha na mão para chamar a equipe se precisar.

Antes do exame, você responde a um questionário de segurança, como o usado pelo Einstein, porque o campo magnético exige cuidado com objetos e implantes metálicos. Avise a equipe se você tem marcapasso, próteses, clipes ou outros dispositivos, e tire brincos, relógio e roupas com zíper ou metal.

E o contraste?

Em alguns casos, o médico pede contraste (gadolínio), injetado na veia para destacar melhor certas estruturas. O uso do contraste é avaliado pelo médico radiologista conforme a doença investigada, e pode ser pedida uma dosagem recente de creatinina no sangue antes do exame, segundo o mesmo procedimento do HC-UFTM.

E se eu tiver claustrofobia?

Fale com o médico antes de marcar. Protocolos de segurança em ressonância tratam a claustrofobia como uma situação que depende do tipo de exame e da possibilidade de sedação, então vale combinar a melhor forma de fazer o exame. Se o seu caso for esse, a equipe pode orientar você.

Como é uma tomografia da cabeça?

A tomografia é mais rápida e simples: você deita em uma maca que passa por um anel aberto, que gira ao redor da sua cabeça enquanto tira as imagens. Segundo o Einstein, o tubo de raios X se move ao redor do paciente e detectores do outro lado captam várias imagens ao mesmo tempo.

Em geral, o que muda de um lugar para outro é o preparo, que depende da região examinada e do uso de contraste. A Rede D'Or São Luiz informa que, para o crânio, a cabeça pode ser apoiada com uma faixa, só para evitar movimentos que prejudiquem a imagem. Peça sempre as orientações à clínica ou ao hospital onde vai fazer o exame.

Como a tomografia usa raios X, o médico pesa o benefício de cada pedido. Em gravidez, por exemplo, o guia do Einstein já cita a contraindicação. Se houver qualquer chance de você estar grávida, avise antes do exame.

Como preparar a conversa com o médico

Chegar à consulta com informações organizadas ajuda o médico a decidir se a imagem é necessária. Dados concretos pesam mais do que "minha dor está pior": desde quando as crises existem, com que frequência acontecem, quanto tempo duram, como é a aura (se houver) e o que mudou recentemente.

Algumas perguntas úteis para levar:

  • Meu quadro é típico de enxaqueca ou existe algum sinal de alarme?
  • Em que situações o senhor(a) pediria uma imagem no meu caso?
  • Se eu fizer o exame, o que ele pode mudar no meu tratamento?
  • O que devo observar e quando devo voltar ou procurar o pronto-socorro?

Quem acompanha as crises por escrito chega mais preparada. Veja o que anotar no diário de enxaqueca e, se ainda não sabe a quem recorrer, o texto sobre qual médico procurar mostra como preparar a consulta.

Em resumo: a imagem é a exceção, não a regra

Para a maioria das pessoas com enxaqueca típica, a consulta clínica basta. A ressonância ou a tomografia entram quando há sinais de alarme, mudança no padrão da dor ou uma situação que o médico quer esclarecer, e um resultado normal é, em geral, um alívio.

Se você sente que algo mudou nas suas crises, não espere o próximo mês: anote o que está diferente e converse com um profissional de saúde. Quem decide sobre exames e tratamentos é o seu médico, com base na sua história.

Perguntas frequentes

A ressonância magnética mostra a enxaqueca?

Não. Não existe um exame de imagem que confirme a enxaqueca: o diagnóstico é clínico e se baseia na história e no exame neurológico, segundo o protocolo de encaminhamento do Rio Grande do Sul. A ressonância serve, quando indicada, para descartar outras causas de dor de cabeça.

Posso pedir uma ressonância ao meu médico?

Você pode e deve conversar sobre isso, principalmente se notou algum sinal de alarme, como dor de início súbito, mudança no padrão das crises ou sintomas neurológicos novos. A decisão de pedir o exame, porém, é do médico, que avalia se ele vai realmente ajudar no seu caso.

A ressonância dói ou faz mal?

O exame não causa dor e não usa radiação, segundo o Einstein. O desconforto mais comum é o barulho do aparelho e ficar parada por 20 a 40 minutos, e por isso a equipe fornece protetor auricular.

Tenho aura. Preciso fazer ressonância?

Não necessariamente. A aura típica melhora por completo em até uma hora, e o Einstein considera uma aura mais longa um sinal de alerta que merece avaliação médica. Se a sua aura mudou ou durou mais do que o habitual, fale com um profissional de saúde.

A ressonância sempre precisa de contraste?

Não. O uso de contraste é avaliado pelo médico radiologista, conforme o que se quer investigar, segundo o procedimento do HC-UFTM (Ebserh). Se for necessário, a equipe explica o preparo, como o exame de creatinina.

Fontes

Escrito por Laurine Nicoletti, fundadora da Mellow, que convive com a enxaqueca desde os 21 anos. Saiba mais · Como escrevemos nossos artigos

Artigos relacionados

Todos os artigos “Diagnóstico”

Baixe o Mellow

Gratuito para baixar. Registre sua primeira crise em poucos segundos.

4,8 em 62 avaliações
Baixar na App StoreDisponível no Google Play